Uma invasão de garimpeiros na Aldeia Jarinal, localizada no alto Rio Jutaí, na Terra Indígena Vale do Javari, situada no Oeste do Amazonas, foi denunciada, nesta terça-feira (26), pelo deputado Zé Ricardo (PT) às autoridades competentes. No Congresso Nacional, o parlamentar é vice-coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas.
O deputado foi informado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Regional Norte I, e a Equipe de Apoio aos Povos Indígenas Livres (Eapil/Cimi) sobre a invasão.
Zé Ricardo encaminhou ofício à Polícia Federal, à Fundação Nacional do Índio (Funai) e ao Ministério da Justiça, além de representação no Ministério Público Federal (MPF), solicitando adoção de medidas urgentes para inibir essa invasão e até as denúncias de abusos sexual contra mulheres indígenas.
Garimpeiros estariam promovendo festas e distribuindo bebidas
De acordo com as entidades denunciantes, as lideranças Kanamari e Dyohom-Dyapa, povos que integram a Aldeia Jarinal, garimpeiros chegam à aldeia promovendo festas e distribuindo bebidas alcoólicas, embriagando os parentes e cometendo crimes sexuais contra as mulheres, incluindo, menores de idade. Mas essas lideranças entendem que a intenção dos garimpeiros é aliciar os povos para viabilizar a exploração de ouro na região.
O deputado avalia que na localidade existem povos indígenas isolados que correm sérios riscos. “Esses povos podem ser massacrados por essa invasão dos garimpeiros. É necessário atenção especial por parte do Poder Público, sobretudo, da Funai”, enfatizou o parlamentar.
Além das cobranças aos órgãos competentes, o deputado ingressou como uma representação junto ao Ministério Público, para que apure todas essas denúncias e encaminhe à justiça.
Líderanças indígenas denunciam omissão
O deputado federal diz que alguns líderanças indígenas da região denunciam que a Fundação Nacional do Índio estaria sendo omissa em se manifestar sobre essas violências. Assim confirmou Paulo Marubo, presidente da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). “A Funai está cada vez mais fragilizada. Quando acontece algum fato como este, é difícil se manifestar. O Estado não faz nada, com exceção de alguns parceiros dentro da Fundação… a Funai não está fazendo o seu papel”, conta.
Outra liderança indígena que demonstra preocupação com os acontecimentos, segundo Zé Ricardo, é Feliciana Kanamari, vice-presidente da Associação Kanamari do Vale do Javari (Akavaja). “A situação está tensa. A gente está correndo para ajudar nosso povo. Não tem ninguém para proteger os parentes isolados”, desabafa.
Violência contra indígenas teve aumento de 60% no Brasil, com boa parte dos casos no Amazonas
Em 2020, o número de assassinatos de indígenas aumentou mais de 60%, conforme o último relatório do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).
Houve um pico de assassinatos, com pelo menos 182 vítimas conhecidas, número recorde em 25 anos, significando um aumento de 60% na comparação com o ano anterior, 2019. Roraima e o Amazonas lideram o ranking da violência contra indígenas, segundo relatório do CIMI.
Texto: Isac Sharlon e assessoria
Da Redação, com informações da assessoria
Leia Mais: