Em meio a uma crise de abastecimento do mercado amazonense por conta da vazante dos rios da Amazônia, o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC), Paulo Camilo Pena, confirmou, nesta quinta-feira (7), uma queda de 1,7% no volume de vendas em novembro em relação ao mesmo mês de 2022, atribuindo esse resultado as mudanças climáticas.
“As condições climáticas extremas, somado ao ambiente macroeconômico instável, seguem afetando a indústria brasileira do cimento. O volume de vendas em novembro totalizou 5,3 milhões de toneladas, uma queda de 1,7%”, escreveu o dirigente.
Sem as melhores condições de trafegabilidade de grandes navios pela hidrovia dos rios Amazonas e Madeira, o abastecimento de Manaus chegou ao pior nível da história e a saca de cimento de 40 quilos saltou da faixa de R$ 50 para R$ 81 no início deste mês, afetando toda a construção civil do Estado.
Segundo os números do SNIC, no acumulado do ano foram comercializadas 57,5 milhões de toneladas de cimento, uma queda de 1,8% na comparação com os mesmos onze meses de 2022.
“Em um mês tradicionalmente forte em vendas para o setor, a comercialização de cimento segue afetada negativamente pelas condições climáticas extremas”, conclui Paulo Camillo Penna.
Indústria assume compromissos na COP28
De olho no impacto das mudanças climáticas na indústria do Cimento, representada pelo SNIC e Associação Brasileira de Cimento Portaland (ABCP), marcam presença na 28a Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP28), em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
O setor reafirmou, nos debates que envolvem atores da iniciativa privada, o compromisso de avançar na busca pela neutralidade na emissão de gases do efeito estufa.
A indústria brasileira do cimento tem compromisso com a sustentabilidade, diz Paulo Camillo Penna, especialmente na substituição de combustíveis fósseis por fontes alternativas de energia.
“Essa atividade de coprocessamento, responsável pela transição energética em nossa cadeia produtiva, substituiu 30% do combustível em 2022, sua melhor marca, antecipando a meta prevista para 2025. Foram 2,856 milhões de toneladas de resíduos processados, evitando cerca de 2,9 milhões de toneladas de CO2“, diz a SNIC.