Um indígena de etnia desconhecida que vivia isolado há 26 anos na Terra Indígena Tanaru, na região da Amazônia localizada em Roraima, foi encontrado morto na terça-feira (23). A Funai (Fundação Nacional do Índio) divulgou a informação apenas neste sábado (27).
Ele era monitorado pela Funai desde 1996 e, embora a fundação não soubesse sua idade, o cálculo era de que ele tinha mais de 50 anos. Em nota, a Funai afirmou que ele foi encontrado em sua rede de dormir e que no local “não havia sinais de violência ou luta”.
Ainda não se sabe o motivo da morte do indígena, mas o órgão acredita que pode ter ocorrido por causas naturais. A informação só será confirmada após o resultado de uma perícia feita pela Polícia Federal.
Ele era conhecido como “indígena do buraco”, apelido que recebeu por deixar valas profundas na mata. Para especialistas, elas poderiam ser utilizadas tanto como armadilha para atrair animais ou mesmo como locais de esconderijo.
De acordo com a Funai, ele vivia com outras seis pessoas até 1995. O grupo foi vítima de um ataque de madeireiros e o indígena foi o único sobrevivente. Ainda de acordo com a fundação, ninguém foi punido pelo crime.
A Funai fez algumas tentativas de contato com ele, mas recuou ao perceber que elas não eram recíprocas. A última vez que o órgão tentou contatá-lo foi em 2005. Desde então, vinha monitorando o indígena à distância.
Segundo uma reportagem do site UOL de 2018, ele sobrevivia da caça de animais, mofo rudimentar, roças de milho, batata, cará, banana e mamão.
A Funai também deixava algumas ferramentas e sementes para plantio em alguns dos locais por onde ele passava frequentemente.
Texto: Juliana Arreguy (FolhaPress)
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