O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC), que mede o otimismo dos comerciantes em relação à economia, sofreu uma queda de 8,2% em abril de 2025, quando comparado ao mesmo mês do ano anterior, com destque para o setor de bens duráveis.
Embora tenha permanecido estável em relação a março, com 101,7 pontos, o índice evidencia um crescente pessimismo, refletido especialmente pela queda nas condições atuais da economia, que registrou um dos maiores recuos: 24,8%.
Impacto nos setores sensíveis
Setores mais sensíveis a altas de juros e incertezas econômicas, como o comércio de bens duráveis, tiveram as maiores quedas no índice, com uma retração de 10,2%.
Eletrônicos, móveis, eletrodomésticos e veículos foram os mais impactados, devido à redução do poder de compra das famílias e à falta de confiança na estabilidade econômica.
Além disso, setores como supermercados e farmácias, que tradicionalmente apresentam maior estabilidade, também passaram a operar em um nível pessimista, com uma redução significativa nos números de confiança.
Apesar da maior estabilidade dos produtos essenciais, a alta nos preços e a pressão inflacionária continuam a afetar a disposição dos empresários.
Investimentos em baixa, expectativas retraídas
A intenção de investimentos apresentou uma leve alta mensal de 0,1%, mas, em comparação com o mesmo período de 2024, caiu 2,4%.
O mesmo aconteceu com os investimentos em estoques (-1,1%) e as projeções de contratação de funcionários, que caíram 2,4%. A retração nas expectativas reflete uma postura conservadora, com os empresários aguardando um cenário econômico mais favorável.
A projeção de expectativas para os próximos meses também mostrou queda, com uma retração de 0,5% no mês e 8,9% no ano.
Embora ainda se mantenham no patamar otimista de 128,4 pontos, os empresários mostram-se mais focados em questões imediatas do que no futuro.
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O desafio para o detor de bens duráveis
As lojas de móveis, eletrodomésticos e veículos tiveram quedas significativas, sendo que as concessões de crédito e o endividamento das famílias têm sido alguns dos principais fatores para a retração nas vendas desses produtos.
O aumento da taxa de juros e as altas da inflação são dificuldades que pesam sobre os empresários, que veem uma demanda enfraquecida, especialmente no que diz respeito a produtos de maior valor agregado.
O papel do governo na recuperação do mercado
Para reverter essa situação, muitos economistas destacam a necessidade urgente de medidas públicas que incentivem o consumo e que ajudem a reduzir a incerteza econômica.
A redução da taxa de juros e a manutenção de políticas de incentivo ao consumo são algumas das sugestões para aliviar os custos elevados enfrentados pelos empresários, além de melhorar o ambiente para investimentos.
Confira a análise elaborada pelo Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) na íntegra: