Em meio ao julgamento sobre a tentativa de golpe, o jornal britânico The Guardian publicou um perfil detalhado de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A reportagem o descreve como um magistrado que “inspira amor e ódio” e como uma das “celebridades mais controversas” do Brasil, que está à frente do processo considerado “histórico” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O texto destaca que a postura firme do ministro, desde a eleição de Bolsonaro, o transformou em “herói para os progressistas” e em alvo de rejeição entre apoiadores do ex-presidente. O jornal lembra que Moraes comandou investigações envolvendo Bolsonaro e seus aliados, determinou bloqueios de perfis de extremistas nas redes sociais e conduz o inquérito das fake news — aberto há seis anos e ainda sem conclusão.
A publicação também faz um retrospecto da trajetória de Moraes, de professor universitário a ministro da Justiça no governo Michel Temer (MDB), e menciona seu “currículo invejável” e perfil “workaholic”. Moraes é autor de um livro de direito constitucional que vendeu centenas de milhares de exemplares.
Segundo o jornal, “hoje, muitos brasileiros de esquerda exaltam Moraes como o salvador da quinta maior democracia do mundo”, mas na juventude ele era um homem de direita. A reportagem lembra a fala do jurista Floriano de Azevedo Marques Neto ao Le Monde, dizendo que “a última coisa que ele teria no quarto seria um pôster do Che Guevara”.
Para ilustrar a polarização em torno do ministro, The Guardian cita a provocação de Elon Musk, que o chamou de “ditador malvado fazendo cosplay de juiz”, e a devoção de um açougueiro paraense que tatuou o rosto de Moraes na perna. “Se tatuar o rosto de um juiz da Suprema Corte na perna parece uma decisão peculiar, o cenário político excepcional do Brasil ajuda a explicar a escolha”, escreve o jornal.