quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Greve de Auditores Fiscais da Receita afeta o começo de ano da economia do Amazonas

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Ralph Assayag (CDLM), auditor fiscal Jairo Costa e Nelson Azevedo (Fieam)

A operação-padrão realizada pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil começou a impactar a economia do Amazonas. Iniciada no dia 26 de novembro do ano passado, a operação padrão ganhou impulso no Amazonas nos últimos 15 dias.

Nesta sexta-feira (31), o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDLM), Ralph Assayag, fez um apelo a bancada do Amazonas no Congresso Nacional para intermediar negociações com o Ministério da Fazenda.

“O Impacto para Zona Franca de Manaus é muito maior, 50% da carga que chega a Manaus vem pelo Canal Vermelho, demorando mais de 40 dias para ser liberada. A carga que vem pelo Canal Verde está sendo liberada em 15 dias, quando era cinco dias (antes da operação padrão)”, afirmou o presidente do CDLM.

Conforme Ralph Assayag, os auditores querem apenas uma intermediação para conversar com representantes do Governo Federal, seja da própria Receita Federal do Brasil ou do Ministério da Fazenda, o que até o momento não há qualquer sinalização

O comando de greve em Manaus confirmou, nesta sexta-feira, que as negociações não avançaram e a categoria mantém a paralisação por tempo indeterminado, ampliando a operação-padrão nas aduanas e elevando o risco de um colapso logístico e econômico no país.

Os Auditores da Receita também confirmaram que para o Polo Industrial de Manaus (PIM) os efeitos começam a ser sentidos, com risco de atraso na entrega de insumos e produtos acabados.

A demora na liberação das mercadorias pode levar ao desabastecimento de itens fundamentais para a indústria e o comércio, agravando os custos para empresas e consumidores.

O Auditor-Fiscal Jairo Costa, do Comando de Mobilização, reforça os impactos preliminares da paralisação.

“O número de importações e exportações selecionadas para a verificação aumentou, o tempo de redirecionamento dessas importações também cresceu. Além disso, importações em canal verde de OEA estão sendo selecionadas para ações fiscais, e com isso os portos estão cheios”, afirmou

A situação nos terminais portuários da capital amazonense já é crítica, garante o presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros (SIDAM), Marcelo Barbosa Peixot,.

“Os terminais, na verdade, do final do ano para cá, resultaram em muito canal vermelho, foram mais de 180 canais vermelhos. Com isso, houve um congestionamento grande nos terminais, por conta da vistoria física. Então, no Super Terminais, estamos com uma lista de mais de 100 contêineres na ordem para descarga dentro do armazém, sem espaço nenhum. No Chibatão, o volume é menor. Desde o final do ano até agora, estamos numa lista extensa. Há caso de cliente que registrou no final do ano, deu vermelho e só foi desovado agora, depois de quase 30 dias”, explicou o sindicalista.

Pauta de reivindicações dos Auditores Fiscais

Os Auditores-Fiscais querem uma reajuste salarial, pois a categoria negocia desde 2022 a atualização dos vencimentos, que permanece sem reajuste no salário base, enquanto todas as outras carreiras já tiveram aumentos anunciados pelo Governo Federal.

A categoria reivindica um reajuste equitativo a um percentual concedido a outras carreiras do serviço público.

“Os Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil são a única classe do serviço público federal que não recebeu nenhum reajuste salarial nos últimos oito anos. Outras categorias obtiveram aumentos de até 30% ou 27%”, destaca a nota divulgada pelo Sindifisco Nacional.

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