quarta-feira, 23 de setembro de 2026
DE VOLTA

Governo Lula quer retomar exportação de serviços via BNDES

Governo Lula encaminhou ao Congresso pl que autoriza BNDES a financiar obras em países do exterior
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Porto de Mariel, em Cuba, construído com recursos do Governo Brasileiro pela construtora Odebrecht
Porto de Mariel, em Cuba, construído com recursos do Governo Brasileiro pela construtora Odebrecht

Uma das políticas que mais desgaste trouxe para os Governo do PT, o financiamento de obras e serviços de empresas brasileiras em países do exterior pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá ser retomada no próximo ano.

A volta dos financiamentos a países pelo BNDES está prevista em projeto de Lei enviado pelo Governo Federal e que começou a tramitar nesta segunda-feira (27), no Congresso Nacional. A intenção é permitir mais competitividade e mercado aos empresários nacionais.

No Brasil, contudo, estão marcados na memória da população os financiamentos feitos em obras de infraestrutura em Angola e o Porto de Mariel, em Havana (Cuba), nos primeiros dois governos de Lula, e o metrô de Caracas, no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso.

Este tipo de financiamento existe em vários países do mundo, entre eles Estados Unidos, Suécia, Canadá e China. Numa eventual aprovação pelo Congresso Nacional, o primeiro beneficiado poderá ser a Argentina, onde Lula disse, na visita que fez em fevereiro, que voltaria com este tipo de exportação de serviços.

“O Brasil vai voltar a financiar obras no exterior para gerar empregos e riqueza para trabalhadores brasileiros”, disse Lula ao presidente Alberto Fernandez, que contava com isso para financiar a construção de um metrô em Buenos Aires.

Argumentos técnicos

Segundo o diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, José Luis Gordon, o financiamento público para empresas que comercializam com países estrangeiros chega a 20% em alguns países desenvolvidos, mas não passa de 0,3% no Brasil.

A ideia é integrar o Brasil às melhores práticas internacionais, com transparência, segurança no processo e regras claras“, afirmou José Luis Gordon.

Ele reforçou que o financiamento às exportações de serviços não beneficia países, mas sim empresas brasileiras. “O dinheiro entra na empresa brasileira em reais. Isso gera emprego e renda no Brasil”.

A medida, avalia, é importante não só para setores em que o Brasil tem histórico de atuação no exterior, como o da construção civil, mas em áreas como engenharia de software, audiovisual e todo um setor de produção de máquinas e equipamentos.

Segundo o texto do projeto de lei, o BNDES vai manter atualizadas em um endereço público de fácil acesso informações financeiras sobre a carteira de financiamentos à exportação de serviços concedidos. O banco também apresentará à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, anualmente, um relatório com a carteira de financiamentos, as condições financeiras, os resultados para a economia brasileira e aspectos socioambientais avaliados.

Para estabelecer uma garantia a mais para os investimentos, a concessão de novas operações mediadas pelo BNDES para exportadores brasileiros com outros países fica proibida nos casos em que haja inadimplência do país estrangeiro com o Brasil, exceto nas hipóteses em que houver formalização da renegociação da dívida.

O projeto também sinaliza que o valor máximo do financiamento à exportação será definido com base no valor do contrato comercial de exportação, em consonância com as melhores práticas internacionais.

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