O governo federal lançou uma campanha nacional pelo fim da escala de trabalho 6×1, sem redução salarial. A iniciativa foi anunciada no domingo (3) e defende mais tempo para descanso, lazer, cultura, convivência familiar e vida fora do trabalho.
Segundo a Agência Brasil, o governo estima que pelo menos 37 milhões de trabalhadores possam ser beneficiados pela redução da jornada. A pauta ganhou força durante os atos do 1º de Maio e passou a ocupar o centro do debate trabalhista nacional.
Na Câmara dos Deputados, uma comissão especial analisa propostas sobre o tema. O colegiado tem 38 titulares e 38 suplentes e poderá funcionar por até 40 sessões para apresentar parecer. Uma das propostas reduz a jornada semanal de 44 para 36 horas, com transição gradual ao longo de dez anos. Outra, apresentada pela deputada Erika Hilton, prevê semana de quatro dias, também com limite de 36 horas.
Na prática, as PECs acabam com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso. Se aprovadas na comissão especial, seguirão para votação em plenário.
O debate tem forte impacto social. Trabalhadores submetidos à escala 6×1 relatam dificuldade de conviver com a família, estudar, cuidar da saúde e descansar de forma adequada. A discussão também toca em saúde mental, produtividade, tempo de deslocamento e qualidade de vida.
Por outro lado, setores empresariais devem pressionar por regras de transição e avaliação de impacto econômico, especialmente em comércio, serviços, alimentação, transporte e atividades que funcionam em escala contínua.
O desafio do Congresso será transformar uma pauta popular em texto viável. A redução da jornada não pode virar apenas slogan eleitoral, mas também não pode ser descartada com base no medo automático de custos. O país terá de discutir produtividade, contratação, renda e descanso de forma séria. A escala 6×1 entrou definitivamente na agenda política.