O ex-comandante da 3ª Companhia de Forças Especiais em Manaus, tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, ficou em silêncio durante o depoimento prestado à Polícia Federal no âmbito da Operação Tempus Veritatis, que investiga organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado no Brasil em janeiro de 2022.
O depoimento teve o sigilo levantado nesta sexta-feira (15/3), por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, ao lado de outros 26 depoimentos de investigados e testemunhas, entre os quais estavam o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ex-comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes; da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Almeida Batista Júnior; da Marinha, almirante Almir dos Santos Garnier; e do ex-ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.
Hélio Ferreira Lima era, no fim de 2022, um dos principais militares brasileiros especializado em Operações Especiais e de Comando, os chamados “Kids Pretos”, ocupando um posto de comando da elite do Exército.
Estes militares foram mobilizados pelo então ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), tenente-coronel Mauro Cid, ele próprio um “Kid Preto”, para auxiliar no movimento que impediria a posse do presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT).
Conforme apurado na operação Tempus Veritatis, deflagrada em 8 de fevereiro, Hélio Ferreira Lima participava do grupo que produzia e disseminava notícias falsas sobre as eleições, a confiabilidade das urnas eletrônicas, bem como fake news sobre o presidente do Tribunal Superior Eleitoral Alexandre de Moraes.
O tenente-coronel morava até o mês passado na Vila Militar do Bafururu, exclusiva de oficiais superiores que servem em Manaus e fica localizada em São Jorge, Zona Centro-Oeste. Durante a operação essa casa foi alvo de um mandato de busca e apreensão determinado por Alexandre de Moraes.
Mesmo distante de Brasília, Hélio Lima era ativo no que a Polícia Federal batizou de “Núcleo Operacional de Apoio às Ações Golpistas”, que estimulava e dava suporte a medidas que mantinham as manifestações em frente aos quartéis do Exército em todo o País.
No Amazonas, a manifestação pró-Golpe de Estado se concentrou em frente ao Comando Militar da Amazônia (CMA), na Ponta Negra. Nessa atuação, o núcleo era responsável por financiamento e logística. Desde 15 de fevereiro ele foi destituído do comando da 3ª Companhia de Forças Especiais e se transferiu para Brasília, onde está à disposição da Polícia Federal.
Respostas parciais de Hélio Lima não interessaram à PF
No início do depoimento, prestado no dia 22 de fevereiro, a defesa do tenente-coronel aventou a possibilidade de ter direito a responder parcialmente as inquirições dos investigadores, mas recebeu como resposta que o direito parcial ao silêncio não seria aceito.
Após isso, a defesa informou que Hélio Lima ficaria calado invocando o direito constitucional de não produzir provas contra si mesmo. Ao mesmo tempo solicitou acesso a íntegra dos autos, o que não foi permitido pela Polícia Federal.
Confira o depoimento de Hélio Lima

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