A última reunião do ano do Conselho de Administração da Suframa (CAS) aprovou a concessão de incentivos fiscais a projetos que vão da bovinocultura e joalheria, atividades vistas como de impacto na Amazônia, até a produção de equipamentos para a geração de energia limpa fotovoltaica.
O projeto de uma agroindústria dedicada a bovinocultura integrava o pacote apresentado por duas empresas que pretendem se instalar no Distrito Agropecuário. Um dos projetos prevê a criação de gado de corte e mandiocultura. O segundo é para o cultivo de açaí e piscicultura.
No total, os projetos apresentados para o Distrito Agropecuário previam investimentos de R$ 16,6 milhões e geração de 43 empregos diretos no Distrito, que funciona entre os municípios de Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva, na Região Metropolitana de Manaus.
A produção de gado de corte na Amazônia é tradicionalmente vista como uma atividade que gera bastante impacto na região, pois precisa de grande áreas e estoques de água para formação de pasto.
Conforme o técnico agrícola Domingos Mariano, este tipo de criação é chamado de pecuária extensiva e, por isso, causa impacto, mas o que está proposta é a pecuária intensiva, onde o gado é criado confinado em currais e assim geram menos impactos.
Outro projeto que vai gerar calafrios nos ambientalistas é o da Lyria Indústria e Comércio de Joias e Artefatos Metálicos, para produção de artefato de joalheria. Com a mineração praticamente fechada na região, por conta de inúmeros conflitos no campo e nos tribunais, o temor é de que uma indústria de joalheira recorra a minerais extraídos de maneira ilegal, como o ouro de garimpo em terras indígenas ou das barrancas de rios, como ocorreu no Madeira há dois anos.
Investimento verde também teve projeto aprovado
Na outra ponta, o CAS também aprovou projetos de empresas que atuam na nova economia, como é o caso do projeto de implantação da empresa Livoltek Power Brasil, que pretende fabricar em Manaus inversor solar fotovoltaico.
O investimento projetado é de R$ 100 milhões e expectativa de geração de 130 empregos diretos. Além de ser um dos componentes do conjunto que possibilita a utilização da energia solar, que é renovável, a fabricação desse produto na ZFM ainda gerará investimentos da ordem de R$ 55 milhões em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).
No total, essa última reunião do CAS aprovou 31 projetos, sendo 29 industriais e dois agropecuários. O investimento previsto nestes projetos é de R$ 517 milhões ao longo dos próximos três anos, com geração final de 900 novos empregos e faturamento de R$ 52 bilhões no auge da produção.
Conforme a Suframa, as cinco reuniões do CAS deste ano aprovaram 178 projetos, com previsão de geração de 5.176 novos empregos nos próximos três anos e faturamento de R$ 26 bilhões quando todos estiverem implantados.