O futuro da Amazônia tem sido a principal discussão entre estudiosos dedicados ao desenvolvimento da região.
Para o diretor-presidente do Museu da Amazônia (Musa) e ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ennio Candotti, a Amazônia precisa de mais centros de estudos e institutos de pesquisas no interior.
O diagnóstico consta no Mapa das Instituições, produzido pelo Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia com a contribuição da Embrapa e Museu Goeldi.
Embora o Mapa seja enfático, existe avanço na interiorização de centros de estudos na Amazônia.
Os nove Estados da Amazônia Legal reúnem em 160 de seus municípios 300 campi de Universidades, Institutos Federais de Ensino Superior e Institutos de Pesquisa e Desenvolvimento públicos, todos voltados para a formação e qualificação de mão de obra e pesquisa para resolução dos problemas locais, sobretudo os ambientais.
Interiorização no Amazonas
Esse “espalhamento” das instituições de ensino superior e de pesquisas por municípios da Amazônia é um fenômeno recente, dos anos 2000, mas que no Amazonas, por exemplo, começou com o processo de interiorização da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) nos anos 90 durante a gestão do reitor Marcus Barros, quando as unidades acadêmicas da Ufam passaram a ter que manter cursos em municípios polos nas principais regiões do Amazonas.
UEA completa ciclo
Outro importante fator de espalhamento das instituições de ensino superior foi a criação, em 2001, pelo ex-governador Amazonino Mendes, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), considerada hoje a maior universidade multicampi do País, atendendo com ensino, pesquisa e extensão todos os 62 municípios do Estado.
Por conta de uma saudável concorrência entre Ufam e UEA, hoje temos municípios e regiões atendidos pelas duas instituições, como é o caso de Parintins e o Alto Solimões, que tem um polo da UEA em Tabatinga bem ao lado do polo da Ufam em Benjamin Constant.
“Observando os progressos da interiorização dos institutos, universidades e seus campi na Amazônia Legal, verificamos que é possível hoje colher os frutos do amadurecimento dessa política. Atualmente essas instituições ocupam um grande número de quadros técnicos, qualificados nas mais diversas áreas do conhecimento, residentes de modo permanente em municípios da Amazônia profunda. Locais onde se encontra a maioria dos teatros das batalhas em defesa do desenvolvimento civilizado”, afirma Ennio Candotti em artigo divulgado no Jornal da Ciência.
Da Redação
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