Dados divulgados pelo Ministério da Educação mostram que 53,1% dos concluintes de licenciaturas na modalidade de educação a distância tiveram desempenho insuficiente no Enade das Licenciaturas de 2025. O levantamento foi apresentado nesta quarta-feira, 20 de maio, e reacende o debate sobre a qualidade da formação docente no país.
Entre todos os formandos avaliados em 2025, 40% estudaram em cursos presenciais e 60% em cursos de educação a distância. O MEC informou que concluintes de cursos presenciais tiveram desempenho significativamente superior: 73,9% foram considerados proficientes, ou seja, alcançaram nível adequado de conhecimento ou habilidade na área.
O dado é grave porque a formação de professores define a qualidade da educação básica. Licenciaturas não preparam apenas profissionais para o mercado; formam quem alfabetiza, ensina matemática, ciências, história, língua portuguesa e acompanha o desenvolvimento de crianças e adolescentes.
A expansão da educação a distância ampliou acesso ao ensino superior, especialmente para estudantes de cidades menores, trabalhadores e pessoas sem condições de frequentar cursos presenciais. Mas acesso sem qualidade pode gerar um problema em cadeia: professores mal formados entram em salas de aula já marcadas por desigualdade, evasão, baixa aprendizagem e falta de estrutura.
O desafio não é demonizar a modalidade a distância. O Brasil precisa de alternativas flexíveis de formação, especialmente em regiões remotas. O problema é permitir cursos massificados, com pouca prática pedagógica, baixa supervisão, tutoria frágil e distância excessiva da realidade escolar.
A resposta pública precisa envolver regulação, avaliação rigorosa, estágio supervisionado real, formação prática e acompanhamento das instituições. O país não resolverá a crise de aprendizagem se tratar licenciatura como produto barato de escala. Professor não se forma só com plataforma; forma-se com escola, prática, orientação e conteúdo consistente.