As exportações de produtos feitos no Polo Industrial de Manaus (PIM) deram um salto no primeiro trimestre deste ano. As empresas faturaram R$ 731,2 milhões contra R$ 614,2 milhões no mesmo período do ano passado, um salto de 19,5%.
Esse crescimento segue a tendência registrada desde 2021 quando o Conselho de Desenvolvimento da Suframa (CAS) aprovou a resolução 65 e instituiu o chamado Plano de Exportações, um conjunto de incentivos que permitiu as empresas faturarem R$ 3 bilhões, ano passado, um recorde histórico.
A performance das exportações é uma crítica recorrente ao Polo Industrial de Manaus devido ao pequeno volume. Para se ter ideia do tamanho deste setor, em 2022, o faturamento do PIM foi de R$ 174 bilhões, sendo apenas R$ 3 bi oriundos de vendas para o mercado externo.
“O Plano de Exportações é um mecanismo já usado por nossos grandes exportadores, como a Recofarma e Honda. Além disso, temos estimulado pequenas empresas em alguns planos nacionais como o PEIEX e o PNCE. Inclusive algumas já exportam, como a Biozer e outros pretendem logo exportar como a Destilaria Eurydice. Estamos trabalhando para estimular exportações”, afirma o superintendente Bosco Saraiva.
A Recofarma é uma das principais empresas do Polo Industrial de Manaus e a maior exportadora de concentrados de refrigerantes para o mercado latino-americano. A Honda vende motocicletas para uma cesta mais variadas de regiões do planeta.
A Biozer é uma startup que desenvolve alimentos funcionais e cosméticos naturais com ativos oriundos da biodiversidade amazônica e que está buscando o mercado exterior. Já a destilaria Eurydice produz um gim orgânico, bebida feita a base de insumos da biodiversidade amazônica. Para este trabalho elas contam com o suporte da Suframa.
Polo industrial cumpriu missão
Para o economista Sérgio Gonçalves, o setor de exportações do Polo Industrial de Manaus sempre foi um gargalo e o desempenho fraco um fator de crítica dos opositores do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM).
Ocorre, na avaliação do especialista, que a ZFM foi criada dentro de uma política que não visava exportações, mas sim a substituição das importações e, desse modo, parar a sangria de dólares que esvaziava as nossas reservas cambiais.
“A ideia era fazer a substituição das importações. O Brasil importava televisores, pagava em dólar e assim perdia moeda forte. Com o Polo Industrial de Manaus houve a substituição e hoje esse dólar fica acumulado para reforçar nossas reservas cambiais”, explica.
BNDES lança linha para exportadores
Nesta quinta-feira (25), em Brasília, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, lançou uma série de iniciativas, como abertura de linhas de créditos com juros especiais, para incentivar as exportações e reverter o processo de desindustrialização vivido pelo País.
Esse processo é tão agudo que em 30 anos o setor industrial deixou de representar 30% do Produto Interno Bruto para algo próximo de 11% apenas.
Entre as principais medidas estão:
- Banco reduziu em até 60% spread da linha Exim Pré-Embarque, que financia produção de bens nacionais para exportação
- Empresas com receita em dólar ou atrelada à variação cambial terão até R$ 2 bi para financiar aquisição de máquinas com taxa fixa em dólar
- Com aprovação ontem, pelo Senado, Banco terá R$ 20 bi em quatro anos para financiar inovação com taxa de juros de 1,7% ao ano
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