A existência do chamado “gabinete paralelo” atuando fora do Ministério da Saúde no aconselhamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deixou o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, visivelmente constrangido durante depoimento prestado na Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 do Senado Federal, na manhã desta terça-feira (8).
Vídeos mostrando várias reuniões entre os profissionais médicos e de outras áreas – mobilizados pelo deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) – com o presidente foram mostrados pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), apontando que o grupo aconselhou Bolsonaro a adotar a política da “imunidade de rebanho” e desprezar a aposta na vacinação do povo brasileiro.
Epidemiologistas já ouvidos pela CPI mostram que essa estratégia é responsável pelo excesso de mortes registradas no Brasil, que nesta terça-feira se aproximou de 480 mil mortos.
‘Gabinete das sombras’
Esse gabinete, que foi batizado de “shadow gabinet” (gabinete das sombras) pelo médico virologista Paolo Zanotto, era coordenado pelo então assessor do presidente Arthur Weintraub, Osmar Terra, a oncologista Nise Yamaguchi, o médico militar Luciano Dias Azevedo, o empresário Carlos Wizard, além de Carlos Bolsonaro e o próprio Zanotto.
Marcelo Queiroga foi enfático ao dizer que teve pouco ou nenhum contato com estes profissionais e que as opiniões deles não embasam qualquer política da gestão atual do Ministério.
Respondendo ao relator, Queiroga negou encontros com Zanotto, Luciano Azevedo, Arthur Weintraub, mas reconheceu ter estado com Nise Yamaguchi, Carlos Bolsonaro, Wizard e Osmar Terra em ao menos uma oportunidade. “Desconheço a atuação deste grupo e na minha gestão não há uma única diretriz deles”, afirmou.
Renan Calheiros contestou a informação e apontou um congresso científico patrocinado por eles e que teve a participação de um representante do Ministério indicado por Queiroga. O relator chamou ainda este grupo de “sociedade secreta formada por negacionista”.
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