quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Exército aponta prejuízo de R$ 633 milhões ao crime na fronteira amazônica

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Amazonas TSE tropas federais
(Foto: Divulgação/EB)

O Exército Brasileiro informou que realizou mais de 4 mil ações na faixa de fronteira em 2025, causando prejuízo estimado de R$ 633,8 milhões ao crime organizado. As operações envolveram apreensão de drogas, armas, munições, veículos, embarcações e materiais usados em atividades ilícitas. O investimento operacional foi de cerca de R$ 10 milhões, segundo balanço divulgado pelo Comando Militar da Amazônia.

A faixa de fronteira brasileira se estende por mais de 16 mil quilômetros e faz limite com dez países. Na Amazônia, o desafio é ainda maior por causa da baixa densidade populacional, infraestrutura limitada, presença de rios como rotas logísticas e áreas de difícil fiscalização.

A atuação do Exército se baseia na combinação de presença e dissuasão. São 78 organizações militares distribuídas ao longo da fronteira, com cerca de 25 mil militares. O SISFRON, Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras, aparece como ferramenta tecnológica para integrar sensores, comunicações e apoio à decisão.

O balanço também cita a Operação Catrimani, em andamento desde abril de 2024, com foco no combate ao garimpo ilegal e na proteção de rios, terras indígenas e comunidades tradicionais. A presença militar ainda apoia ações de desintrusão em territórios como Kayapó, Munduruku, Uru-Eu-Wau-Wau e Yanomami.

A pauta é central para o Amazonas porque o crime organizado não atua apenas nas periferias urbanas. Ele depende de rotas, rios, fronteiras, garimpos, pistas clandestinas e redes financeiras. Sem controle territorial, a segurança pública nas cidades continuará enxugando gelo.

A crítica é que operação militar, sozinha, não resolve o problema. O Estado precisa combinar inteligência, fiscalização ambiental, presença policial, alternativas econômicas, conectividade e cooperação internacional. A fronteira amazônica não pode ser tratada apenas como área distante: ela é uma das portas de entrada dos problemas que explodem nos centros urbanos.

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