quarta-feira, 23 de setembro de 2026

EUA e China reduzem tarifas e aliviam tensões comerciais após negociações em Genebra

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Autoridades dos EUA e da China se reuniram em Genebra e anunciaram acordo para reduzir tarifas recíprocas, sinalizando trégua na guerra comercial.

Em um movimento que surpreendeu os mercados e sinaliza uma trégua na guerra comercial, Estados Unidos e China chegaram a um acordo para reduzir temporariamente as tarifas recíprocas.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (12), após intensas negociações no fim de semana em Genebra, na Suíça, marcando o primeiro encontro presencial entre autoridades econômicas de alto escalão dos dois países desde o retorno de Donald Trump à presidência dos EUA.

Segundo o acordo, os Estados Unidos reduzirão as tarifas extras impostas às importações chinesas de 145% para 30%, enquanto a China diminuirá suas taxas sobre produtos americanos de 125% para 10%. As novas alíquotas terão validade de 90 dias.

“Ambos os países representaram muito bem seus interesses nacionais”, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.

Ao lado do representante de Comércio norte-americano, Jamieson Greer, ele destacou que “o consenso de ambas as delegações neste fim de semana é que nenhum dos lados deseja uma dissociação”.

A guerra tarifária, intensificada por Trump desde janeiro, provocou temores de recessão global, afetou mercados financeiros e paralisou cerca de US$ 600 bilhões em comércio bilateral.

O aumento agressivo das tarifas havia sido justificado pela Casa Branca como uma medida para reduzir o déficit comercial e proteger cadeias de suprimento em setores considerados estratégicos, como medicamentos, semicondutores e aço.

Apesar do acordo, Bessent explicou que ele não contempla tarifas específicas por setor e que os EUA “continuarão com o reequilíbrio estratégico” nessas áreas.

“Nós dois temos interesse em um comércio equilibrado, e os EUA continuarão avançando nesse sentido”, afirmou.

A China, por sua vez, havia retaliado com restrições à exportação de terras raras — insumos essenciais para a indústria armamentista e eletrônica norte-americana — e com elevação das tarifas sobre produtos dos EUA.

Para Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management em Hong Kong, a decisão surpreendeu positivamente.

“Isso é melhor do que eu esperava. Achei que as tarifas seriam reduzidas para algo em torno de 50%”, comentou.

Trump também se manifestou antes do anúncio oficial, antecipando um resultado favorável:

“Os dois lados haviam negociado ‘uma reinicialização total… de forma amigável, mas construtiva’”.

As conversas também incluíram, paralelamente, discussões sobre a entrada de fentanil nos EUA. Embora tratada em outro canal de negociação, Greer classificou os diálogos sobre o opioide como “muito construtivos”.

“Obviamente, essa é uma notícia muito positiva para as economias dos dois países e para a economia global, e deixa os investidores muito menos preocupados com os danos às cadeias globais de oferta no curto prazo”, completou Zhang.

Com o alívio das tarifas e o tom mais conciliador entre as duas maiores economias do mundo, o mercado global reagiu com otimismo, afastando momentaneamente os riscos de uma escalada protecionista com efeitos prolongados.

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