O estudo “Ciclo de informes sobre a situação de saúde da juventude brasileira”, realizado pela Fiocruz, mostra que jovens entre 15 e 29 anos estão mais expostos a violências e acidentes do que a população geral, independentemente da região em que vivem.
Os dados indicam que fatores etários são mais determinantes do que a localização geográfica para o risco de morte.
Com base em registros do SUS e do IBGE entre 2022 e 2023, a pesquisa revelou que 65% das mortes de jovens tiveram causas externas, como homicídios e acidentes de transporte. No grupo de 20 a 24 anos, a taxa de mortalidade chegou a 218,2 óbitos por 100 mil habitantes, superando a média nacional.
Norte e Amazonas em destaque
A pesquisa evidencia que os índices são mais elevados nas regiões Norte e Nordeste. No Amapá, a taxa chegou a 447 mortes por 100 mil jovens de 20 a 24 anos, enquanto a Bahia registrou 403 na mesma faixa etária. Em Roraima, o índice foi de 623,5 por 100 mil, colocando o estado entre os mais críticos do país.
Embora o levantamento não apresente uma taxa específica para o Amazonas, o estado acompanha a tendência regional de alta vulnerabilidade. Segundo especialistas ouvidos pela Fiocruz, a realidade amazônica combina fatores como fronteiras extensas, violência armada e acidentes de transporte em áreas ribeirinhas e estradas de difícil acesso, o que eleva os riscos para jovens de 15 a 29 anos.
Perfil etário da mortalidade juvenil
A pesquisa detalha que adolescentes de 15 a 19 anos estão mais expostos à violência física e conflitos interpessoais. Já os jovens de 20 a 24 anos, fase de inserção no mercado de trabalho, são os mais afetados por mortes violentas, com taxa de 390 óbitos por 100 mil habitantes.
Na faixa de 25 a 29 anos, cresce a incidência de violência psicológica e acidentes de transporte, mantendo a juventude como o grupo etário mais vulnerável às chamadas causas externas.
Juventude negra representa 73% das vítimas
O estudo traz um dado que reforça as desigualdades raciais: 73% das vítimas de violências e acidentes são jovens negros, o equivalente a 61.346 óbitos entre 2022 e 2023. Entre os homens negros, o risco chega a 227,5 mortes por 100 mil habitantes, 22% acima da média geral da juventude negra.
As mortes por armas de fogo atingem principalmente jovens negros, que também são maioria nos casos de óbitos decorrentes de ações policiais, chamadas de intervenções legais.
📱Participe do canal do RealTime1 no Instagram
Principais causas de morte
A pesquisa indica que a agressão física corresponde a 47% das notificações de violência contra jovens, seguida pela violência psicológica (15,6%) e sexual (7,2%). Entre os acidentes de transporte, as motocicletas estão presentes em 53% dos casos fatais, atingindo sobretudo homens, que representam 84% das vítimas.
Outro dado relevante é que a ação policial responde por 3% das mortes externas de jovens, contra 1% no total da população brasileira.
Diferenças regionais e estaduais
No ranking estadual, o Distrito Federal aparece com a maior taxa de mortalidade juvenil, 696,1 por 100 mil habitantes, seguido por Espírito Santo (637,8), Mato Grosso do Sul (629,5) e Roraima (623,5). Esses índices são mais que o dobro da média da população brasileira, de 250,6 por 100 mil habitantes.
A análise mostra ainda que os municípios fora das regiões metropolitanas concentram os índices mais altos, devido à combinação de acidentes em estradas e rodovias, maior uso de motocicletas e menor acesso a serviços de saúde emergenciais.
Contexto do estudo
O informe faz parte do Ciclo de Informes sobre a Situação de Saúde da Juventude Brasileira, produzido pela Agenda Jovem Fiocruz em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio. Segundo os pesquisadores, a finalidade é oferecer dados epidemiológicos capazes de orientar políticas públicas voltadas à juventude, em especial nas áreas de segurança, transporte, educação e saúde.
Leia Mais: