sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Estado do Amazonas ocupa 2º lugar no país em homicídios de mulheres, atrás apenas de Roraima

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Amazonas teve 122 homicídios de mulheres em 2023 e aparece com a 2ª maior taxa do país. (Foto: Divulgação/Fapeam)

O Amazonas registrou a segunda maior taxa de homicídios de mulheres do país em 2023, com 5,9 assassinatos por 100 mil habitantes do sexo feminino, de acordo com dados do Atlas da Violência 2025, divulgado nesta semana pelo Ipea e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O estado ficou atrás apenas de Roraima, que lidera o ranking nacional com taxa de 10,4. Em números absolutos, o Amazonas contabilizou 122 homicídios de mulheres no ano passado, dentro de um total de 1.555 mortes violentas registradas no estado.

O relatório mostra que, mesmo com políticas públicas implementadas nas últimas décadas, a violência letal contra mulheres segue em patamar elevado e com características estruturais.

A maioria das vítimas no Amazonas era parda (104) ou indígena (3), o que evidencia, segundo os pesquisadores, um possível subregistro de mortes de mulheres indígenas, devido à classificação imprecisa das informações raciais no sistema de saúde.

O cenário de violência feminina no estado é ainda mais grave entre mulheres negras (pretas e pardas). A taxa de homicídios para esse grupo foi de 6,6 por 100 mil mulheres negras em 2023, a quarta mais alta do Brasil.

Em números absolutos, foram 107 vítimas negras, o que representa quase 88% do total de homicídios femininos registrados no estado no período. De 2013 a 2023, a taxa de assassinatos de mulheres negras cresceu 32% no Amazonas, o terceiro maior aumento do país, atrás apenas do Piauí e do Ceará.

Violência dentro de casa e feminicídio oculto

O relatório também revela que 35% dos homicídios de mulheres em todo o país ocorreram dentro da residência da vítima, indicando uma forte relação com o feminicídio, crime tipificado no Brasil desde 2015, mas ainda subnotificado.

No sistema de saúde, não há distinção legal entre homicídio comum e feminicídio, o que leva os pesquisadores a usar o local do crime como um indicativo. Historicamente, a maior parte dos feminicídios ocorre dentro de casa.

Mulheres negras seguem sendo as mais atingidas

De acordo com o estudo, as mulheres negras continuam a ser o grupo mais vulnerável à violência letal. Em 2023, elas representaram 68,2% de todas as vítimas de homicídios femininos no Brasil, com taxa de 4,3 por 100 mil, 1,7 vez maior que entre mulheres não negras.

No Amazonas, essa diferença também é acentuada: enquanto a taxa para mulheres negras foi de 6,6, entre não negras o índice ficou em 3,2 por 100 mil habitantes.

A desigualdade racial aparece também na sobrerrepresentação de mulheres negras entre as vítimas. Embora componham 65% da população feminina no estado, elas somam mais de 87% dos homicídios registrados.

“Esses dados evidenciam o cruzamento entre racismo estrutural e violência de gênero, reforçando a urgência de políticas públicas específicas para proteção dessas mulheres”, destaca o relatório.

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Íntegra da nota da Secretaria da SSP-AM sobre os dados do Atlas da Violência 2025:

O Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), informa que o Amazonas tem apresentado sucessivas reduções nos índices de homicídio ao longo dos últimos anos. De acordo com o Atlas da Violência, o estado alcançou 3ª maior redução na taxa de homicídios do país em 2023, em relação a 2022 e a maior queda em relação aos estados da Região Norte.

Outro dado que cabe destacar é que o Amazonas está entre os estados com as menores taxas de homicídio do Brasil em 2025. No primeiro trimestre deste ano, a taxa no estado foi de 15,55 homicídios a cada 100 mil habitantes, a 11ª menor do país e dentro da meta 2030 do Plano Nacional de Segurança.

Já no comparativo das regiões Norte e Nordeste, o Amazonas ficou com a 2ª menor taxa entre os 16 estados, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, atrás apenas de Tocantins e Sergipe. A taxa da região Norte é de 20,02, enquanto a do Nordeste é de 26,71.

O Amazonas também registrou o menor número de homicídios dos últimos 19 anos. Entre janeiro e março deste ano, a pasta registrou uma queda de 35,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2024, o Amazonas teve 257 homicídios e, em 2025, 165 crimes dessa natureza foram registrados.

Essas reduções são reflexos da atuação das forças de segurança na capital e no interior, assegurada pelo compromisso do Governo do Amazonas em combater a criminalidade e garantir a segurança em todo estado.

Na capital, a redução de homicídios foi de 42,6%. Nos primeiros três meses do ano passado, o Estado registrou 159 crimes desse tipo, enquanto neste ano, esse número caiu para 92, no mesmo período.

No interior, a queda foi de 25,5% no primeiro trimestre de 2025, em comparação ao mesmo período do ano passado. O registro, nos 61 municípios do interior do estado, foi de 98 homicídios, em 2024, e 73 crimes em 2025.

Investimentos

Desde 2019, o Governo do Amazonas, sob a gestão de Wilson Lima, já investiu cerca de R$ 1,16 bilhão em segurança pública, reforçando o combate à criminalidade e modernização das Forças de Segurança, entre investimento em pessoal, estrutura física, armamentos, equipamentos e novas tecnologias.

Em 2025, o governo entregou a Base Fluvial Arpão 3, reforçando as ações de segurança nos rios do Amazonas. Com recursos do programa Amazonas Mais Seguro, a embarcação foi equipada com tecnologia de ponta, voltada, principalmente, para o combate a crimes como narcotráfico, roubos e biopirataria, atuando na região do rio Solimões e atendendo os municípios locais.

Desde a criação da Base Fluvial Arpão 1, no rio Solimões, em Coari, o Governo do Estado causou um prejuízo superior a R$ 500 milhões ao crime organizado, por meio de apreensões de drogas, armas e prisões. Em janeiro de 2024, foi inaugurada a Base Fluvial Arpão 2, com um investimento de R$ 4,75 milhões, equipada com tecnologia de ponta para atender municípios como Barcelos e Novo Airão.

Em 2024, o Governo do Amazonas destinou mais de R$ 30 milhões para a aquisição de veículos e equipamentos, como ambulâncias, picapes, caminhões de combate a incêndios, coletes balísticos e trajes antibomba.

Ainda no mesmo ano, foi inaugurado o novo Batalhão das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), com uma área de treinamento de padrão internacional, voltada para aprimorar a capacitação da tropa em incursões em ambientes urbanos hostis, como becos, vielas, igarapés e imóveis, com o objetivo de combater o crime e apreender drogas e armas ilegais.

Além disso, o governador Wilson Lima reforçou o efetivo policial com a convocação de 2,8 mil aprovados no concurso público de 2022, beneficiando tanto a capital quanto os municípios do interior.

Com o Programa RecuperaFone, lançado em setembro do ano passado, e coordenado pelo Núcleo de Investigação e Recuperação de Celulares, as operações deflagradas de forma integrada entre as policiais Civil e Militar já restituíram 1.850 aparelhos.

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