Entre 2013 e 2023, o Brasil perdeu 2.124 crianças de 0 a 4 anos para homicídios, além de 6.480 vítimas entre 5 e 14 anos segundo o Atlas da Violência 2025, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
O uso de armas de fogo como principal instrumento desses homicídios, e 83,9% das vítimas de 15 a 19 anos morreram por disparos, e o índice de mortes entre crianças de 5 a 14 anos devido a armas de fogo foi de 70,1%.
Esse cenário evidencia a fragilidade da proteção das crianças, especialmente no ambiente familiar e nas comunidades.
Crescimento da violência não letal
Além das mortes, o Atlas da Violência 2025 também aponta um aumento significativo nos casos de violência não letal contra crianças e adolescentes, como abuso psicológico, físico, sexual e negligência.
Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostram um aumento de 36,2% nas notificações desses tipos de violência entre 2022 e 2023, com 115.384 atendimentos de crianças e adolescentes vítimas de violência.
Entre os dados que mais chamam atenção, está o crescimento expressivo das notificações de violência física contra crianças de 0 a 4 anos, que aumentou 52,2% entre 2022 e 2023.
Este dado revela uma preocupação crescente com a violência doméstica e intrafamiliar, que afeta diretamente a saúde mental das vítimas mais jovens e pode resultar em quadros de ansiedade e depressão.
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Suicídios na juventude e impactos psicossociais
Outro dado alarmante do Atlas é o aumento de suicídios entre crianças e adolescentes. Entre 2013 e 2023, houve uma alta de 42,7% no número de suicídios nesse público, totalizando 11.494 mortes.
Esse aumento está diretamente relacionado ao impacto das violências físicas e psicológicas, agravadas pelo ambiente familiar de muitas vítimas.
O estudo ainda destaca que as crianças e adolescentes são as maiores vítimas da violência doméstica, sofrendo não só homicídios, mas também abusos físicos e sexuais, o que tem impactos severos na saúde mental, levando a quadros como depressão e distúrbios de ansiedade.
O Atlas da Violência 2025 serve como um alerta para o país, apontando a necessidade de um olhar mais atento para a violência contra crianças e para o impacto profundo que ela tem no desenvolvimento físico e psicológico das novas gerações.