domingo, 14 de julho de 2024

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Especialistas veem mercado de consumo em expansão para mulheres 50+

Enquanto nos Estados Unidos e em países da Europa os negócios voltados ao bem-estar e à saúde sexual desse público já proliferam, a oferta ainda é tímida no Brasil.
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Mulheres

Só não vê quem não quer: a população brasileira está envelhecendo. Hoje, mais de 54 milhões de pessoas já passaram dos 50 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As mulheres representam 13,7%, ultrapassando 29 milhões de pessoas.

O mercado, porém, ainda não entendeu o potencial de consumo desse grupo nem está preparado para atendê-lo.

As mulheres 50+ estão longe de querer ficar sentadas na varanda. Elas querem se manter ativas, profissional, social e sexualmente, então precisam de produtos e soluções que as auxiliem nessa jornada e compreendam as mudanças que chegam com o avanço da idade.

Enquanto nos Estados Unidos e na Europa os negócios voltados ao bem-estar e à saúde sexual desse público já proliferam, a oferta ainda é tímida no Brasil.

Autora de Etarismo – Um novo nome para um velho preconceito, a psicóloga e consultora de diversidade etária em empresas Fran Winandy afirma que o problema está diretamente relacionado à invisibilidade dessa mulher na sociedade.

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“Mulheres mais velhas são consideradas assexuadas. A indústria da moda já não se interessa por elas, os homens também não”, afirma.

Isso explica a necessidade que muitas sentem de esconder a própria idade, como se tivessem controle sobre o fluxo do tempo. Nadando contra a corrente, a mulher 50+ de hoje está mais empoderada e confiante, sem paciência para estagnação, diz a especialista.

“Ela começa a ficar incomodada com o comodismo do parceiro, se separa. Surge uma demanda muito grande por brinquedos sexuais e por serviços e apps mais nichados”, observa.

Trabalhando com economia prateada há oito anos, a empreendedora Bete Marin é especializada em campanhas de marketing digital para empresas que querem falar com esse público. Ela diz que os profissionais de marketing já entenderam a importância da consumidora 50+ para os negócios, mas é necessário fazer uma aproximação maior.

“Precisa aprofundar o diálogo para conhecer, porque a gente parte do princípio de que é um grupo homogêneo, quando, na verdade, é diverso. Tem de entender quais são os porcentuais e perfis dentro da diversidade dessa consumidora”, defende.

Ela diz que os setores de moda e de vestuário têm grandes possibilidades de lucrar com as mulheres maduras ao mesmo tempo que é o número um em reclamações.

“O corpo sofre transformações com a menopausa. Todas querem acompanhar tendências, mas, em vez de se adaptar às consumidoras, o mercado fica impondo o padrão estético dos 20 anos”, destaca.

No comando da Feel, fusão das femtechs Feel e Lilit, as empreendedoras Marina Ratton e Marília Ponte se surpreenderam com a composição da clientela no início das vendas. A marca desenvolve lubrificantes naturais e um vibrador, e elas acreditavam que o público consumidor seria mais jovem. Porém, as demandas vieram em massa de mulheres com mais de 40 anos.

“São mulheres que estão passando por mudanças profundas, como a retomada do corpo após ter filhos, e há uma demanda latente por bem-estar sexual”, diz Marina.

Segundo ela, as soluções naturais para a intimidade feminina ainda são raras, apesar de vivermos o auge desses produtos no mercado.

“Tem um viés de gênero que esbarra na indústria, que não está olhando para essas mulheres como nicho. Além disso, o Brasil é um país conservador. Precisamos fomentar e educar para poder vender”, ressalta.

Estadão Conteúdo

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