quarta-feira, 23 de setembro de 2026
FENÔMENOS CLIMÁTICOS

Especialista diz que La Ninã não garante recuperação dos níveis dos rios no AM

A La Niña pode trazer consigo a esperança de um aumento de chuvas sobre o Brasil durante seu período de atuação
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Chuva atinge área da floresta amazônica
(Foto: Reprodução)

Com a seca severa de 2023, ainda fresca na memória, a chegada da La Niña, levanta questões sobre o impacto das chuvas na Amazônia e nos rios amazônicos. Para entender melhor o que esperar desse fenômeno, o RealTime1 conversou com Deydila Bonfim, meteorologista do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

A La Niña, fenômeno que indica o resfriamento das águas do Pacífico Equatorial, pode trazer consigo a esperança de um aumento de chuvas sobre o Brasil durante seu período de atuação. No entanto, a meteorologista alerta para a complexidade das interações entre o oceano e a atmosfera, que podem resultar em diferentes impactos regionais.

Bonfim destaca a necessidade de compreender a transição entre os fenômenos climáticos, como o El Niño, que influenciou a região nos últimos anos. A expectativa é de que a neutralidade no oceano dê lugar ao resfriamento anômalo associado à La Niña, possivelmente a partir do segundo semestre.

Confira a entrevista completa:

No entanto, a resposta da atmosfera a essa condição oceânica pode levar tempo, o que torna difícil prever com precisão a intensidade e os efeitos das chuvas decorrentes da La Niña.

Segundo Bonfim, a influência da La Niña não representa necessariamente um aumento imediato nas chuvas. A dinâmica entre o oceano e a atmosfera implica um tempo de resposta, o que significa que mesmo com o início do resfriamento no segundo semestre, as chuvas podem demorar a se intensificar.

A especialista reitera que embora haja expectativas de chuvas acima da média, é importante considerar a variação sazonal e regional. Enquanto algumas áreas podem receber mais precipitação, outras podem enfrentar déficits, como observado recentemente na região sul da Amazônia Legal.

O que diz a Defesa Civil do Amazonas

No início da segunda quinzena de março, autoridades da Defesa Civil do Estado reuniram com representants dos setores público e privado para apresentar um panorama da seca, esperada para o segundo semestre.

Segundo o órgão, a baixa quantidade de chuvas que vinha atingindo o Amazonas durante o inverno amazônico gerou preocupação, principalmente no que tange a subida das águas para que os rios consigam se recuperar para enfrentar a estiagem deste ano.

Hoje (16/4), o RealTime1 procurou o Centro de Monitoramento e Alerta (Cemoa) da Defesa Civil para saber qual o atual cenário no Estado. O órgão confirma a ‘previsão’ da especialista Deydila Bonfim.

De acordo com o Tenente Charlis Barroso, chefe do Cemoa, houve um “baixo acumulado de precipitação” no primeiro trimestre deste ano, o que impacta o cenário local, principalmente quando se é observada a região das cabeceiras de rios que passam pelo Amazonas.

Em constante monitoramento para prevenir – ou combater da melhor maneira possível – um evento adverso. o chefe do Cemoa destaca que há um “alerta para o risco de possível enfrentamento a um desastre de estiagem, considerando que a estação seca o baixo volume de precipitação, é comum no segundo semestres do Amazonas, uma vez os dados atuais podem indicar várias consequências, como a redução da disponibilidade de água para os ecossistemas locais, afetando a biodiversidade e os meios de subsistência das comunidades ribeirinhas”.

“Além disso, pode contribuir para o aumento das queimadas e do desmatamento, já que áreas mais secas são mais propensas a incêndios”, completa o tenente.

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