Entidades sindicais e associações de trabalhadores reagiram, nesta terça-feira (7), à criação do programa de assistência à saúde do Ministério Público do Estado (MP-AM), que vai devolver aos servidores ativos e aposentados dinheiro gasto em despesas com planos médicos, odontológicos e psicológicos. Para procuradores e promotores, a bolsa deve girar em torno de R$ 5 mil.
A criação do plano foi noticiada em primeira mão pelo RealTime1, nesta segunda-feira (6). O programa possibilita, na prática, que os servidores do Ministério Público, incluindo procuradores, promotores e demais membros, sejam reembolsados por despesas de saúde pessoal e de seus familiares até o terceiro grau.
Diante da repercussão, o Portal RealTime1 buscou ouvir dirigentes de entidades sindicais e associações, já que o novo benefício do órgão fiscalizador foge à realidade da maioria da classe trabalhadora do Amazonas.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Vigilantes do Amazonas (Sindevam), Valderli Bernardo, o benefício estendido até a terceira geração além do valor reembolsado, beira ao absurdo. Ele lembra que a categoria dos vigilantes conquistou, através de convenções coletivas, os valores de R$ 6,00 de plano de saúde e R$ 5,00 de plano odontológico aos 2.500 sindicalizados.
Caso o associado queira incluir dependentes, o valor integral é de R$ 129,00 no plano de saúde e R$ 10,00 no plano odontológico.
“Considero um absurdo promotores, membros do judiciário e políticos terem saúde custeada pelo dinheiro da grande massa da população que não tem como cuidar da sua própria saúde. Todos ganham muito bem e tem possibilidade de pagar um procedimento médico ou odontológico sem precisar ser reembolsado por isso. Sem falar que esse benefício atenderá aos familiares até a terceira geração. O trabalhador, na sua maioria, não consegue pagar um plano de saúde para seus familiares” enfatizou Valderli.
Já o presidente da CUT Amazonas e do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana, vê de forma positiva a criação do auxílio e o reembolso de gastos com saúde do MP.
“Sou totalmente a favor de qualquer trabalhador, seja privado ou funcionário público, ter direito a saúde. A Constituição Brasileira garante isso. O SUS é saúde gratuita então onde puder dar saúde para o trabalhador e sua família sou totalmente a favor. Saúde é fundamental.” concluiu o sindicalista que não quis comentar sobre o comparativo do auxílio-saúde do MP em relação ao que dispõem os metalúrgicos.
O Portal RealTime1 tentou contato com outros sindicatos mas até o fechamento desta matéria, os dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas, Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus, Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Amazonas e Sindicato dos Petroleiros do Estado do Amazonas não responderam ou não quiseram se manifestar sobre o assunto.
O RealTime1 também solicitou esclarecimentos ao Ministério Público do Estado do Amazonas, mas até o fechamento desta reportagem o órgão não deu retorno.
Da Redação
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