quinta-feira, 1 de outubro de 2026
AZULÃO

Eneva contraria MPF-AM e promove audiências públicas em Silves

Audiências públicas promovidas pela Eneva são obrigatórias para a obtenção da licença ambiental.
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A Justiça Federal no Amazonas suspendeu a concessão de quatro blocos de petróleo e gás na Bacia Sedimentar do Amazonas e no Campo do Japiim, em São Sebastião do Uatumã e Urucará.

O Ministério Público Federal no Amazonas (MPF-AM) informou, nesta segunda-feira (4), que irá à Justiça Federal para cancelar audiências públicas promovidas pela Eneva S/A, em Silves, neste fim de semana como parte do licenciamento ambiental do projeto de ampliação do complexo termelétrico de Azulão.

Na sexta-feira o MPF-AM, atendendo sugestão da Fundação Nacional dos Indígenas (Funai), recomendou a Eneva e ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) que cancelassem a realização das audiências com participação de moradores de Silves e Itapiranga, na Região Metropolitana de Manaus.

A Eneva S/A desconsiderou a recomendação e apresentou aos mais de 700 participantes dos encontros o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (Eia-Rima) do projeto, que não contempla atenção com populações indígenas.

Além da direção da Eneva, participaram também o prefeito de Silves, Raimundo Paulino de Almeida Grana, o secretário de Energias Renováveis, Mineração e Gás, Roney Cesar Peixoto, o presidente do Ipaam, Juliano Valente, e o deputado estadual Sinésio Campos (PT).

Eneva investirá R$ 5,8 bilhões

A ampliação do complexo termelétrico de Azulão permitirá a produção de 1.083 megawatts (MW) de energia a partir da construção e operação de duas usinas térmicas, previstas para estarem prontas em 2026. No total, o complexo custará R$ 5,8 bilhões nos municípios de Silves e Itapiranga.

O complexo ampliado da Eneva tem, conforme a Funai, potencial impacto na vida de aproximadamente 190 famílias indígenas e nas comunidades tradicionais.

Na recomendação, o MPF pede que as audiências sejam suspensas até que seja elaborado o Estudo de Componente Indígena (ECI), procedimento obrigatório para a concessão de licença ambiental, que busca garantir o direito dos povos indígenas impactados pelo empreendimento.

Desde 2022, indígenas e populações tradicionais apontam uma série de problemas referentes à implantação do “Complexo Azulão” na região. Eles reclamam que não foram consultados sobre o projeto, o que contraria a Convenção nº 169 da OIT.

O artigo 6º da convenção, incorporada à legislação brasileira, obriga consultar previamente e respeitando a cultura de cada população, povos indígenas e tradicionais em qualquer caso de medidas administrativas ou legislativas que potencialmente afetem seus interesses.

Por conta disso, duas associações locais a ajuizarem ação civil pública na Justiça exigindo a realização da consulta e do estudo de componente indígena.

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