A endometriose é uma condição ginecológica crônica que afeta cerca de 10% das mulheres em idade fértil, o que equivale a aproximadamente 7 milhões de brasileiras, de acordo com estimativas da Associação Brasileira de Endometriose.
A doença ocorre quando o tecido endometrial, que normalmente reveste o interior do útero, cresce fora dele, afetando órgãos como ovários, trompas, intestinos e bexiga.
Este crescimento anômalo pode causar dor pélvica crônica, cólicas menstruais intensas, dificuldade para engravidar, fluxo menstrual intenso, alterações intestinais e urinárias, entre outros sintomas debilitantes.
Os sintomas da endometriose podem variar entre as mulheres, mas em geral incluem:
- Dor pélvica crônica: Um dos sintomas mais comuns e geralmente associado ao período menstrual.
- Cólicas menstruais intensas: Cólicas mais fortes e que duram vários dias.
- Dor durante a relação sexual: Dor ou desconforto causado pela inflamação provocada pela endometriose.
- Fluxo menstrual intenso: Sangramento excessivo durante a menstruação ou sangramentos fora do período menstrual.
- Alterações intestinais e urinárias: Diarreia, prisão de ventre, inchaço e náuseas, além de dor ao urinar.
- Infertilidade: A doença é uma das principais causas de infertilidade, com até 45% das mulheres afetadas tendo dificuldades para engravidar.
O diagnóstico precoce da endometriose é crucial para a qualidade de vida das mulheres afetadas, uma vez que tratamentos adequados podem reduzir os sintomas e melhorar a fertilidade.
O diagnóstico é muitas vezes desafiador, pois os sintomas podem ser confundidos com outras condições, como a doença inflamatória pélvica (DIP) ou os cistos ovarianos. Para confirmar o diagnóstico, são utilizados exames como:
- Exame CA-125 (exame de sangue);
- Ultrassom transvaginal;
- Ressonância magnética (RM) da pelve.
SUS registra aumento de atendimentos para diagnóstico de Endometriose
O Sistema Único de Saúde (SUS) tem registrado um aumento significativo na procura por serviços de saúde relacionados ao diagnóstico de endometriose.
Em 2022, o SUS realizou 82.693 atendimentos na atenção primária relacionados à doença. Esse número aumentou para 115.765 atendimentos em 2023, refletindo um crescimento de aproximadamente 41.000 atendimentos em um ano.
Os dados preliminares de 2024 já indicam 145.744 atendimentos, o que representa um crescimento de 76,24% nos últimos três anos.
Esse aumento no número de atendimentos demonstra uma crescente demanda pelos serviços de saúde, reforçando a necessidade de políticas públicas que garantam diagnóstico precoce e tratamento adequado para as mulheres afetadas pela doença.
Tratamento da endometriose
Embora não haja cura para a endometriose, existem várias opções de tratamento que podem aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das mulheres afetadas. As opções incluem:
- Medicamentos hormonais, como pílulas anticoncepcionais, para reduzir ou até eliminar a menstruação e controlar os sintomas;
- Analgésicos, para controle da dor, como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs);
- Cirurgia laparoscópica, que pode ser usada para remover o tecido endometrial fora do útero, especialmente em casos de infertilidade;
- Tratamentos para infertilidade, caso a mulher tenha dificuldades para engravidar devido à endometriose.
Lei nº 6.824/2024: Proteção às mulheres com endometriose no Amazonas
Com o objetivo de garantir melhores cuidados e direitos às mulheres acometidas pela endometriose, o deputado estadual Roberto Cidade (UB) apresentou a Lei nº 6.824/2024, que cria o Programa Estadual de Tratamento da Endometriose no Amazonas.
A lei, que entrou em vigor em abril de 2024, visa não apenas à proteção das mulheres, mas também o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e o acesso a cuidados especializados.
O programa estadual prevê capacitação dos profissionais de saúde, campanhas de conscientização sobre a doença e a criação de um Centro de Referência de Tratamento da Endometriose.
A lei também incentiva a cooperação com a rede de saúde privada para garantir a realização de exames especializados e a atualização constante dos profissionais quanto ao tratamento da endometriose.
Em seu discurso, o deputado Roberto Cidade destacou a importância da iniciativa:
“Nossa lei quer assegurar proteção e promover direitos às mulheres acometidas pela doença, além de reforçar a importância da realização de avaliações médicas, exames clínicos e laboratoriais periódicos. O diagnóstico da endometriose leva em média de três a 12 anos para ocorrer e nós, com esta lei, queremos incentivar a investigação precoce, garantindo melhor qualidade de vida e saúde para as mulheres acometidas por essa doença”, afirmou Cidade.
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