A empresa Fast Copi Med notificou oficialmente a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) sobre a possibilidade de retirar equipamentos hospitalares instalados em importantes unidades da rede pública estadual caso não sejam regularizados contratos e pagamentos que, segundo a empresa, permanecem pendentes há vários anos.
A notificação foi encaminhada à secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksude, em ofício datado de 20 de maio de 2026. No documento, a empresa informa que pretende conceder um prazo de 45 dias para que a situação seja resolvida antes de iniciar a retirada dos equipamentos.
De acordo com a Fast Copi Med, a inadimplência do Estado se estenderia desde 2022, gerando um déficit financeiro considerado insustentável para a manutenção das atividades.
A empresa afirma ter continuado realizando serviços de manutenção corretiva e preventiva nos equipamentos durante todo o período, visando evitar prejuízos ao atendimento dos pacientes.
Entre as unidades de saúde mencionadas na notificação estão o Hospital Universitário Francisca Mendes, o Hospital de Medicina Tropical, o Instituto da Criança do Amazonas (ICAM) e a Maternidade Ana Braga.
Retirada de equipamentos de hospitais estaduais
Além da comunicação formal à SES-AM, a empresa apresentou representações junto ao Ministério Público Federal (MPF), ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM).
Na manifestação encaminhada ao MPF, registrada sob o protocolo PR-AM-00039236/2026, a empresa relata a suposta falta de interesse da administração estadual em regularizar contratos indenizatórios relacionados à locação e manutenção de equipamentos hospitalares.
O Ministério Público Federal confirmou o recebimento da denúncia e informou que o caso foi encaminhado ao Gabinete do Procurador-Chefe da Procuradoria da República no Amazonas para análise e adoção das providências cabíveis.
Representações de conteúdo semelhante também foram protocoladas junto ao Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério Público Estadual, buscando a apuração da situação e eventual responsabilização administrativa.
Possível impacto na rede pública
Embora a empresa não detalhe quais equipamentos seriam retirados, o documento afirma que eles são utilizados em atividades essenciais de suporte à assistência hospitalar. A eventual desinstalação dos aparelhos poderia comprometer o funcionamento de setores estratégicos das unidades atendidas.
No ofício, a Fast Copi Med sustenta que procurou manter os equipamentos em operação durante os últimos anos, mesmo diante da alegada ausência de pagamentos, para evitar danos à população usuária do Sistema Único de Saúde (SUS).
SES-AM ainda não se manifestou
Até o momento, não há registro de manifestação oficial da Secretaria de Estado de Saúde sobre as acusações apresentadas pela empresa. Caso a situação não seja solucionada dentro do prazo estipulado, a retirada dos equipamentos poderá abrir uma nova frente de preocupação para a gestão da saúde pública estadual.
A reportagem deixa espaço aberto para o posicionamento da SES-AM e dos órgãos de controle citados, em respeito ao contraditório e à ampla defesa.
Abaixo, o documento encaminhado à SES – AM