quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Embalagem de café, cor de café, mas não é; conheça a bebida tida como 'fake' pela Abic

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A venda de produtos que se dizem “sabor café”, mas não são o tradicional café, tem gerado preocupações no mercado brasileiro.

Com o preço elevado do café genuíno nos supermercados, devido ao aumento das cotações globais, a indústria tem se preocupado com a comercialização de produtos substitutos conhecidos como “café fake” ou “cafake”.

Recentemente, foi identificado em Bauru, no interior de São Paulo, a venda de pó com “sabor café”, que pode ser produzido a partir de partes da planta do café, como cascas, palha e folhas, e não da semente do grão, como ocorre no café tradicional.

Um produto chamado Oficial do Brasil, fabricado pela Master Blends, traz em sua embalagem os dizeres “bebida sabor café tradicional”.

Segundo Celírio Inácio, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic),

“Apesar de a embalagem indicar que o produto não é café torrado e moído, o risco de engano é grande, já que a embalagem é similar à do café tradicional e o preço é consideravelmente mais baixo.”

A Master Blends, por sua vez, defende que o produto é um “subproduto” do café, produzido para atender à demanda de consumidores que enfrentam os altos preços do café genuíno.

A empresa afirmou em nota que o produto é composto de café e polpa de café torrado e moído, e que a embalagem esclarece que se trata de uma “bebida à base de café”.

“Somos uma empresa que está no mercado há 32 anos, jamais enganamos o consumidor”, afirmou a fabricante.

A crescente alta nos preços do café arábica, que alcançou recordes históricos na bolsa de Nova York devido à frustração de safra no Brasil, maior produtor e exportador mundial, tem impulsionado o aumento do custo do café genuíno.

Esse aumento de preços tem sido um terreno fértil para o surgimento de alternativas “falsas”, com produtos mais baratos tentando atrair os consumidores.

De acordo com Celírio Inácio, o momento é de grande tensão para a indústria de café, que está repassando os elevados custos da matéria-prima aos consumidores.

A Abic alertou sobre o risco de mais produtos “fakes” entrarem no mercado, o que poderia prejudicar a imagem do café e reduzir o consumo do produto genuíno.

A Abic já denunciou o caso à Anvisa e ao Ministério da Agricultura, destacando que qualquer produto com sabor café deve ser aprovado pela agência reguladora e garantir segurança alimentar.

Master Blends, por sua vez, afirmou ter a autorização da Anvisa para comercializar o produto, e não precisar de aprovação do Ministério da Agricultura.

No varejo, o preço do produto “sabor café” é cerca de R$ 13,99 por meio quilo, muito abaixo do preço do café tradicional, que custa em média R$ 30,00 por meio quilo.

A Abic já havia identificado a venda de produtos “fake” no mercado desde 2022 e reforça que a comercialização desses produtos fere os princípios do setor, que busca valorizar o café genuíno e combater misturas inadequadas, como café misturado com milho torrado.

Para a associação, a comercialização de produtos com sabor café pode levar os consumidores a formarem uma opinião negativa sobre o café de qualidade.

A Abic ainda alerta que, se não forem combatidos, esses produtos podem prejudicar a reputação do café genuíno no país.

“Café fake” é vendido ao lado de café oficial em mercado (Foto: Reprodução / Threds @thiagodefreitas.eu)

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