quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Eleição na Ufam: entrevista com Adriana Malheiro, candidata da chapa 'A Ufam do Futuro Começa Hoje'

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Adriana Malheiro e Plínio José Cavalcante Monteiro (vice), concorrem à Reitoria da Ufam
Adriana Malheiro e Plínio José Cavalcante Monteiro (vice), concorrem à Reitoria da Ufam

No próximo dia 26 de março, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) realizará eleições para reitor e vice-reitor. Cinco chapas concorrem aos cargos. Hoje, o RealTime1 publica a entrevista a candidata à reitora, Profa. Dra. Adriana Malheiro Alle Marie, que tem como vice na chapa ‘A Ufam do Futuro Começa Hoje’ o Prof. Dr. Plínio José Cavalcante Monteiro.

Para garantir isonomia e oferecer aos leitores uma análise clara e objetiva das propostas, todas as entrevistas seguem o formato “ping-pong”, com perguntas idênticas para todos os candidatos. As respostas estão publicadas na íntegra, sem edição ou censura, respeitando a ordem alfabética dos entrevistados.

Com essa iniciativa, o RealTime1 reafirma seu compromisso com a informação responsável e imparcial, proporcionando aos leitores um espaço democrático para conhecer e avaliar as propostas dos candidatos.

RT1 – O que motivou sua candidatura à Reitoria da Ufam e quais são os principais pilares do seu plano de gestão?

Estive nos últimos oito anos na gestão da Propesp (Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação) e pude perceber que podemos melhorar em vários pontos a gestão universitária, sobretudo permitindo que as atuações das Pró-reitorias ocorra de forma mais participativa e sempre compartilhada, por meio de uma comunicação mais efetiva e de metas bem definidas e cumpridas em prazos aceitáveis.

São pilares ou princípios fundamentais de nosso plano de gestão: governança, humanização, inclusão, inovação e transformação.

RT1 – Diante dos desafios financeiros das universidades federais, quais estratégias pretende adotar para otimizar o orçamento e buscar novos recursos para a Ufam?

As parcerias estratégicas de universidades públicas são fundamentais para ampliar seu impacto, fortalecer seu papel social e diversificar suas fontes de financiamento. Deste modo, não podemos depender exclusivamente do orçamento aprovado e dos recursos financeiros disponibilizados pelo Governo Federal, embora este orçamento seja nossa principal fonte de recursos. Estratégias distintas podem ser adotadas e fontes alternativas devem ser buscadas para garantirmos a maior captação de recursos possíveis para atender nossas necessidades de investimentos da Universidade. Assim, parcerias com os setores público e privado por meio de projetos e convênios, programas ministeriais para investimento e desenvolvimento, emendas parlamentares federais e estaduais, entre outras fontes.

RT1 – O Hospital Universitário Getúlio Vargas hoje é de suma importância, não somente para Manaus, mas também para o Estado, já que atende também pessoas oriundas de outros municípios em busca de tratamento. No entanto, ele estaria operando com apenas 30% de sua capacidade. O que pode/deve ser feito, efetivamente para que esse quadro seja revertido?

O HUGV é um hospital público federal de ensino e pertence à Ufam como um de seus órgãos suplementares, estando atualmente sob a gestão da EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares). Desta forma, cabe a ambas, Ufam e EBSERH, buscarem as melhores estratégias para fazer com que este hospital de ensino e de assistência terciária funcione em sua plenitude e preste os melhores serviços para a população amazonense. Entres as propostas que consideramos essenciais para a otimização dos serviços do HUGV, destacamos:

1) Criar e/ou reestruturar os serviços médicos nas áreas de Pediatria/Cirurgia Pediátrica e Ginecologia/Obstetrícia, com integração das respectivas Residências Médicas à Coreme do HUGV;

2) ⁠Ampliar e/ou melhorar os Programas de Residência Médica e Residência Multiprofissional por meio de convênios para intercâmbios em serviços nacionais e internacionais em subespecialidades ou áreas interdisciplinares com apoio de programas institucionais de mobilidade acadêmica. Uma de nossas propostas é uma melhor interação entre o HUGV e a Faculdade Medicina (FM Ufam).

RT1 – Como sua gestão pretende lidar com a evasão estudantil e garantir mais políticas de permanência e inclusão para os alunos?

Na UFAM esses problemas vêm sendo analisados e soluções deverão ser implementadas pela PROEG, nossa Pró-reitoria de Ensino de Graduação. Em linhas gerais, estudar a fundo este problema e identificar suas causas tem sido a missão da Comissão de Estudos de Retenção e Evasão no Ensino de Graduação (CEREEG), que desde o ano passado conta com uma ferramenta digital denominada SAUIM – Sistema Acadêmico Unificado de Informação e Monitoramento para a análise de dados, em tempo real, sobre a conjuntura de retenção e evasão na Universidade, produto de uma parceria entre a Pró- Reitoria de Ensino de Graduação (PROEG) e o Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação (CTIC).

Mas, sabemos que será necessário o uso de diversos mecanismos que tornem a Universidade mais atrativa, como por exemplo análise da grade curricular dos cursos já existentes, a possibilidade de criação de novos cursos atrativos, uso de mecanismos de incentivo à permanência do estudante na UFAM, promover maior interação da UFAM com a sociedade, entre outros.

RT1 – Como sua administração pretende alinhar sustentabilidade ,inovação e desenvolvimento acadêmico?

Para integrar sustentabilidade, inovação e desenvolvimento acadêmico, a universidade precisa ser um centro de produção de conhecimento interdisciplinar que gere produtos e serviços de impacto social.

Este processo pretende conduzir a instituição para a excelência acadêmica, mas precisamos que os em insumos e os processos sejam sustentáveis do ponto de vista econômico, ambiental e social.

Em nosso Plano de Gestão separamos a Transformação Institucional em dois estágios interdependentes: excelência acadêmica e sustentabilidade.

Dentro do eixo sustentabilidade estamos propondo diversas ações como reciclagem e reutilização de materiais, construção de novas infraestruturas energeticamente sustentáveis, avaliação e reestruturação de redes elétricas, manutenção da fauna e da flora, com preservação da floresta, ações destinadas a manutenção e segurança dos animais silvestres e daqueles animais domésticos abandonados no Campus.

RT1 – Quais ações pretende implementar para fortalecer a pesquisa, a inovação e a relação da universidade com a sociedade e o setor produtivo?

Fortalecer a pesquisa, a inovação e a relação da universidade pública com a sociedade e o setor privado exige uma abordagem estratégica e integrada. Aqui estão algumas ações fundamentais:

1. FOMENTO À PESQUISA E INOVAÇÃO

  • Ampliação de investimentos: Buscar financiamento público e privado para fortalecer grupos de pesquisa e infraestrutura laboratorial.
  • Incentivo a redes colaborativas: Estabelecer parcerias entre universidades, centros de pesquisa e empresas para projetos conjuntos.
  • Fomento à pesquisa aplicada: Estimular pesquisas voltadas para desafios concretos da sociedade e do mercado.
  • Apoio a startups e spin-offs acadêmicas: Criar incubadoras e programas de aceleração para transformar pesquisas em soluções comerciais.
  • Políticas institucionais de inovação: Criar normativas que incentivem a proteção da propriedade intelectual e a transferência de tecnologia.

2. RELAÇÃO COM O SETOR PRIVADO

  • Parcerias universidade-empresa: Criar mecanismos para facilitar colaborações, como laboratórios compartilhados e programas de inovação aberta.
  • Contratos de pesquisa e consultoria: Estimular a prestação de serviços especializados para o setor produtivo.

3. ENGAJAMENTO COM A SOCIEDADE

  • Popularização da ciência: Criar eventos, feiras e plataformas digitais para divulgar a produção científica.
  • Projetos de extensão: Fortalecer iniciativas que levem conhecimento e tecnologia para comunidades carentes e setores produtivos locais.
  • Ciência cidadã e participação social: Incentivar pesquisas colaborativas envolvendo cidadãos na produção do conhecimento.

4. INTERNACIONALIZAÇÃO E DIGITALIZAÇÃO

  • Parcerias internacionais: Estabelecer cooperações científicas com universidades e empresas estrangeiras.
  • Plataformas digitais de inovação: Criar redes e repositórios digitais que facilitem a colaboração e disseminação do conhecimento.
  • Educação híbrida e EaD: Ampliar o uso de tecnologias digitais para formação e qualificação profissional.

5. REFORMAS ESTRUTURAIS E GESTÃO ESTRATÉGICA

  • Autonomia universitária com eficiência: Implementar modelos de governança que garantam autonomia sem comprometer a transparência.
  • Burocracia reduzida para inovação: Simplificar processos administrativos para facilitar parcerias e captação de recursos.
  • Avaliação de impacto: Criar métricas para mensurar os efeitos da pesquisa e inovação na sociedade e no setor produtivo. A implementação dessas ações exige vontade política, engajamento acadêmico e incentivos adequados para fortalecer a universidade pública como pilar do desenvolvimento científico e tecnológico.

RT1Por que a comunidade acadêmica deve escolher sua chapa para liderar a universidade nos próximos anos?

A chapa a “Ufam do Futuro Começa Hoje” é formada por dois professores com grande experiência em ensino, pesquisa, extensão e gestão. Além das vertentes citadas acima, atuei por quase oito anos na Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação (Prpesp), primeiro na condição de diretora de pós-graduação e depois como Pró-reitora.

Neste período tivemos a chance de colocar a pesquisa e a pós- graduação da Ufam em evidência na região Norte.

Ao longo desta jornada, ampliamos o número de cursos de pós-graduação stricto senso em quase 30%, mais de 70% dos nossos programas de pós-graduação chegaram a nota 4, e um dos programas, em Informática, chegou a nota 6.

Ganhamos o prêmio CAPES -Elsevier em 2018, como a Universidade que mais cresceu em número de publicações qualificadas na região norte e tivemos o maior número de alunos de iniciação científica da história da Ufam, que chegou a quase 2000 graduandos desenvolvendo pesquisa.

Dentre muitas outras ações que nos fazem acreditar que podemos transformar a Ufam em uma universidade mais atrativa, inclusiva e humanizada, sempre levando em consideração que tudo deve ser feito com governança participativa e com transparência.

Assim, acreditamos que esta experiência da candidata à reitoria, aliada à grande experiência e expertise em diferentes áreas, como por exemplo na atuação como avaliador do INEP, do candidato a vice-reitor, teremos a competência para a resolutividade dos problemas atuais e a busca para o avanço da UFAM.

RT1 – Algum outro assunto que gostaria de destacar e que considere de importância para a comunidade universitária?

Queremos destacar que é importante e recomendado que a comunidade acadêmica avalie os candidatos de forma democrática e participativa, que leiam as propostas apresentadas e que não permitam assédios e coação durante a consulta pública à Reitoria da Ufam. Uma Universidade Pública precisa ser plural, totalmente gratuita, inclusiva e humanizada. A democracia e o respeito entre todos e com a sociedade deve ser o pilar desta construção.

CHAPA 04 – A Ufam do Futuro Começa Hoje

Profa. Dra. Adriana Malheiro Alle Marie – Candidata ao cargo de reitora

Bióloga, Pesquisadora e Professora. Vinte anos de experiência na docência superior em cursos nas áreas de Ciências Biológicas e da Saúde, com especial dedicação à pós-graduação e à pesquisa em Imunologia Básica, Imunologia Aplicada, Biotecnologia e Hematologia, com relevante atuação em diversos projetos de pesquisa e na gestão universitária.

Formação Acadêmica:

Graduação em Ciências Biológicas / Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Barão de Mauá Ribeirão Preto (1992)

Mestrado em Imunologia Básica e Aplicada e Doutorado em Imunologia Básica e Aplicada Universidade de São Paulo (1999-2002)

Experiência Profissional:

Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Imunologia Básica e Aplicada (PPGIBA)

Professora e orientadora nos programas de pós- graduação em Imunologia Básica e Aplicada/UFAM, Biotecnologia/UFAM e Hematologia/UEA/HEMOAM.

Coordenou Projeto de Pesquisa Universal/CNPq. Atualmente está coordenando os projetos: “Estudo de Biomarcadores Imunológicos em pacientes Convalescentes da infecção pelo Vírus SARS-CoV-2 (COVID-19)”, aprovado pela FAPEAM e

“Análise da resposta imune e eficácia da vacina contra Covid-19 em profissionais da Saúde da Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas”

Atuou como Editora principal do “Special Topics”, na revista internacional “Frontiers Immunology”, Research Topics: The Role of Gene Polymorphism in Modulating the Immune Responses against Tropical Infectious Diseases.

Faz parte do Comitê Gestor do INCT do Sangue/CNPq. Ex-Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPESP) Professora Titular do ICB UFAM

Prof. Dr. Plínio José Cavalcante Monteiro – Candidato ao cargo de vice-reitor

Médico, advogado e professor. Vinte e cinco anos de experiência na docência superior em cursos de Direito e de Medicina, com especial dedicação para o ensino da ética geral e da ética aplicada (Ética Médica e Bioética) e experiência em cargos de gestão e em funções de liderança.

Formação Acadêmica:

Graduação em Medicina / Universidade Federal do Amazonas (1987)

Graduação em Direito / Centro Universitário Nilton Lins (2002)

Mestrado em Educação Médica / Universidade Federal de São Paulo (2005)

Doutorado em Bioética / Universidade de Brasília (2019)

Experiência Profissional:

Ex-professor de Ética Médica e Bioética, de Homeopatia e de Saúde da Criança no Curso de Medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Ex-Coordenador do Curso de Medicina da UEA.

Ex-Coordenador do Comitê de Ética em Pesquisa de Universidade Federal do Amazonas (CEP-UFAM).

Ex-Sub-Chefe do Departamento de Patologia e Medicina Legal (DPML) da Faculdade de Medicina (FM) da UFAM.

Ex-Vice-Diretor da FM UFAM

Atualmente é Professor Adjunto III do DPML FM UFAM,

Tutor do Grupo PET Medicina UFAM (SESu/MEC)

Coordenador do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Getúlio Vargas (CEP/HUGV)

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