quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Eduardo Girão faz campanha para tirar Omar da presidência da CPI

Senador cearense é da ala bolsonarista da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid, mas não aparenta ter força para tirar Omar Aziz do comando dos trabalhos.
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O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) começou, nesta terça-feira (20), a fazer a campanha dele para presidir a Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 e assim tirar do páreo o senador Omar Aziz (PSD/AM), o favorito até o momento para vencer a disputa por ter uma postura independente e contar com votos da maioria dos senadores.

A manobra feita pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM/MG), ao empurrar a sessão de instalação da comissão para a próxima terça-feira (27), faz parte da estratégia do governo Jair Bolsonaro (sem partido) para encontrar novos nomes para o comando da CPI, já que os favoritos são tidos no Palácio do Planalto como opositores.

Ao começar a campanha, Girão esclareceu que foi o autor de um dos requerimentos que deu origem à CPI, exatamente aquele que coloca governadores e prefeitos no rol dos investigados, tornando assim os trabalhos virtualmente impossíveis. “É comum, no Congresso, que os criadores de comissões parlamentares de inquérito participem da sua direção”, defendeu o senador cearense.

Para atingir o seu objetivo, argumentou Girão, a CPI deve conduzir um trabalho técnico e sem “passar pano”. Ele também lembrou que é o presidente da CPI que vai escolher o relator da comissão (de quem depende a condução das investigações). “Existe uma expectativa enorme do povo brasileiro em relação à isenção nessa CPI. Que ela seja independente, justa e ampla. Para isso, o comando não pode ter nenhum tipo de conflito de interesse”, afirmou.

É exatamente neste ponto, o da indicação do relator, que está montada a estratégia dos governistas para tirar Omar Aziz do comando da CPI. Na costura que fez, o senador pelo Amazonas se comprometeu a ter Randolfe Rodrigues (REDE/AP), o autor do pedido inicial de CPI, na vice-presidência e o senador Renan Calheiros (MDB/AL) na relatoria. Bolsonaro não aceita ter Renan na relatória.

O trabalho dos governistas, contudo, é virtualmente impossível, pois eles só têm garantido quatro dos onze votos dos integrantes. Estão nesse grupo o próprio Girão e os senadores Ciro Nogueira (PP/PI), Marcos Rogério (DEM/RO) e Jorginho Mello (PL/SC).

Já o grupo que apoia Omar Aziz tem o colega dele de partido, o senador Otto Alencar (PSB/BA), os oposicionistas Humberto Costa (PT/PE) e Randolfe Rodrigues e os independentes Tasso Jereissati (PSDB/CE), Renan Calheiros (MDB/AL) e o colega de Estado Eduardo Braga (MDB). Neste cenário, Omar vence por 7 a 4 e mostra força e independência diante do Governo Federal.

Texto: Gerson Severo Dantas

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