O desabastecimento de insumos e a rotatividade na mão-de-obra ocasionaram um aumento de 68% no volume de demissões no Polo Industrial de Manaus (PIM), no primeiro quadrimestre deste ano. A comparação se dá em relação a igual período de 2020. Os dados são do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM).
Conforme o sindicato, de janeiro a abril de 2021, um total de 2.245 pessoas foram desligadas das empresas. Enquanto no primeiro quadrimestre do ano anterior 1.336 pessoas foram demitidas.
O presidente do Sindmetal-AM, Valdemir Santana, explica que a falta de componentes para a produção foi um dos fatores que motivou a ocorrência de demissões. Outro fator, mais expressivo, segundo ele, foi a rotatividade dos trabalhadores nos postos de trabalho em decorrência de contratação temporária.
“A legislação permite que a empresa contrate mão-de-obra temporária por nove meses. Mas, tem empresas que chegam aos dez meses e dispensam o colaborador. Contabilizamos um prejuízo estimado em R$22 mil por trabalhador ao final de cada contrato temporário. São valores que seriam direitos trabalhistas e que não são pagos aos trabalhadores”, disse Santana.
Segundo o levantamento, as empresas que mais demitiram neste ano foram: I-sheng, Samsung, Philco, Britânia, Panasonic, Transire, Callidus, e as empresas de contratação de mão de obra Mega RH e RH Manaus.
“Esses são os dados que contabilizamos. Mas, algumas empresas se aproveitaram da pandemia para efetuar os desligamentos sem o aval do sindicato, descumprindo a Convenção Coletiva de Trabalho”, comentou Valdemir Santana.
Texto: Priscila Caldas
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