A Associação Amazonense de Supermercados (Amase) registrou recuo de 1,5% nas vendas, em agosto, na comparação com julho. A entidade atribui a redução no consumo à alta da inflação e à consequente perda do poder aquisitivo da população. No acumulado de janeiro a setembro deste ano a associação registrou aumento médio de 30% nos preços de itens como grãos, carne e óleo.
A retração no consumo, no estado, ficou abaixo do índice nacional que foi de 2,33% em agosto. Mesmo assim, o vice-presidente da Amase, Ralph Assayag, afirma que o cenário é preocupante por conta da queda do poder aquisitivo do consumidor.
Segundo Assayag, ao mesmo tempo em que surgem novos postos de trabalho, o salário é desvalorizado em decorrência da inflação, resultando em perda do poder aquisitivo. Ele afirma que o consumidor substitui itens e marcas, além de reduzir a quantidade de produtos nas compras, na tentativa de conseguir encaixar os itens necessários no dia a dia ao orçamento apertado.
“As pessoas estão levando produtos diferentes da marca ‘predileta’, que seria a primeira opção, estão diminuindo os tipos de produtos e fazendo algo que caiba no bolso por causa da inflação”, comentou.
“O consumidor perde força financeira porque o número de itens adquiridos antes por determinado valor, agora é menor investindo o mesmo valor. Se compra menos gastando o mesmo valor de antes. Isso traz um problema sério para a população. A subida do dólar e o aumento do combustível, tudo recai diretamente no produto final”, completou o empresário.
Queda no consumo nacional
Conforme a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) o consumo no país recuou 2,33% em agosto, na comparação com julho. Em relação a agosto de 2020 a variação também foi negativa, de 1,78%. Enquanto no acumulado de 2021 o resultado foi positivo em 3,15%.
Na análise do vice-presidente da Abras, Marcio Milan, o número reflete fatores externos e internos como a alta da inflação, que até agosto acumulou 5,67%, e o desemprego.
“Câmbio, geadas e a população, com bolso mais restrito, tiveram influência no resultado de agosto”, afirmou.
Cesta mais cara
Em agosto, o gasto com produtos da cesta básica, conforme a Abras, manteve a tendência de alta, fechando o mês em R$ 675,73, com aumento de 1,07% em relação a julho/2021.
A batata, café torrado e moído e frango congelado registraram as maiores altas, subindo 20,9%, 10,7%, 7,1%, respectivamente. O sabonete e o ovo também configuram na lista com avanço de 4,3% e 3,7%.
As maiores quedas são da cebola (-4,9%), refrigerante pet (-2,8%), tomate (-2,3%), farinha de mandioca (-1,7%) e feijão (-1,5%).
Texto: Priscila Caldas
Leia Mais: