quarta-feira, 23 de setembro de 2026

‘Tesoura federal’ confisca 75% dos recursos do Polo Industrial de Manaus

Segundo o vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, ao logo de 54 anos de existência, Polo Industrial é atacado e esbarra em entraves que impedem o desenvolvimento regional
COMPARTILHE
Indústria Manaus PIM

Os constantes ataques direcionados pelo governo federal contra o modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) foram atribuídos pelo vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, como os motivadores dos entraves ao avanço da cadeia produtiva e dos indicadores de desenvolvimento na Amazônia.

De acordo com Nelson Azevedo, ao longo de 54 anos de existência, o modelo ZFM é abatido por constantes confiscos de recursos gerados pelo setor industrial, comprometendo o desenvolvimento regional.

“Os baixos indicadores de desenvolvimento existente na Amazônia são consequência imediata do confisco federal de 75% da riqueza gerada na região pelo setor produtivo da ZFM”, disse o empresário.

Azevedo destaca que as perseguições ao modelo industrial, no estado, sempre existiram por motivos diversos, que segundo ele, se resumem em uma mistura de fatores negativos.

 “Os motivos nem sempre foram os mesmos. Mas todos são um cardápio de incompreensão, de desconhecimento e muitos de pura má fé”, comentou.

A ‘nova tesoura federal’ ataca o polo de bebidas

Na análise de Azevedo, o anúncio feito pelo ministro da economia Paulo Guedes, que propõe reduzir os incentivos fiscais do polo de bebidas como medida para ampliar a redução do imposto de renda de pessoa jurídica, foi clara e deixou explícita a intenção prejudicial ao setor de concentrados.

“Dessa vez ficou bem claro que o alvo preferencial da ‘tesoura federal’ é o setor de concentrados, objeto recente de definições tributárias do próprio gabinete do poder executivo. A razão é simples: é o setor que mais exporta, que mais gera emprego no interior, que mais prioriza qualificação de nossos jovens e fomento ao empreendedorismo marcado pela sustentabilidade”, frizou.

Reforma tributária e preservação da ZFM

Para o presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), Martinho Luís Azevedo, a reforma tributária é necessária, da mesma forma que a preservação do setor industrial e da mão-de-obra empregada, no estado. Para isso, ele afirma que é imprescindível vontade política e orientações técnicas.

“A reforma tributária precisa acontecer, mas é preciso, com base em análises técnicas, chegar a propostas que preservem a indústria local. Uma boa medida política seria a simplificação do recolhimento de tributos, facilitando a relação do contribuinte com o fisco. Isso ajudaria muito o ambiente de negócios”, analisou o economista.

Ministério silenciou mais uma vez

Questionado sobre o anúncio feito pelo ministro Paulo Guedes, a assessoria do ministério informou:

“O Ministério da Economia não comenta atos ou normas que não estejam oficialmente publicados”.

Texto: Priscila Caldas

Leia Mais:

COMPARTILHE