Políticos que participaram da 302ª reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS), realizada nesta quinta-feira (24), demonstraram preocupação com relação a possíveis reduções do imposto sobre produtos importados (IPI).
Em discurso veemente, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), se disse ressentido com relação à exclusão do estado nas discussões sobre a política tributária do país. Além disso, Wilson Lima aproveitou a oportunidade para criticar a proposta do ministro da Economia, Paulo Guedes, que promete reduzir a aliquota do IPI de forma linear em 25% em todo o território nacional. Falando em nome das empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM), o governador prevê uma debandada de investimentos no estado, caso a proposta seja efetivada.
“Se isso acontecer com os produtos da Zona Franca de Manaus, isso aqui vai virar o caos. E eu não falo do ponto de vista da arrecadação. Eu advogo em nome das empresas que não terão condições de se manter aqui e serão obrigadas a se mudar para outros estados ou países”, pontou.
“A gente não aguenta mais a indiferença do Sul e do Sudeste nos julgando, como se a gente fosse um peso para o Brasil. Pelo contrário. No ano mais difícil da economia (2021), de uma crise sanitária sem precedentes no mundo, o Polo Industrial de Manaus fechou com 103 mil empregos formais e faturamento de cerca de US$ 160 bilhões”, enumerou.
Além do governador, o prefeito de Manaus, Davis Almeida (Avante), também demonstrou preocupação com a proposta do Planalto.
O chefe do executivo municipal fez um apelo para que a representante do ministério da Economia na reunião, a nova secretária de Produtividade, Emprego e Competitividade, Daniella Consentino, leve ao governo federal as reivindicações da indústria local sobre a manutenção das vantagens comparativas do modelo ZFM.
“As vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus com relação ao IPI precisam ser discutidas de forma clara. É este modelo que nos sustenta. É este o modelo de desenvolvimento do nosso estado”, enumerou David Almeida.
O superintendente da Suframa, Algacir Polsin também afirmou que a proposta de Paulo Guedes traz certa inquietação ao setor produtivo local, mas destacou que a atuação da autarquia como órgão de assessoria técnica ao ministério poderá garantir a manutenção dos benefícios.
“É natural que estejamos preocupados com todos os aspectos que dizem respeito à ZFM. Cabe à Suframa prestar assessoria técnica ao governo federal, ao governo estadual e aos nossos parlamentares para que seja defendida a situação específica da nossa Zona Franca, a sua importância estratégica para o país para que as decisões sejam tomadas levando isso em consideração”, finalizou Polsin.
Texto: Lucas Raposo
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