quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Sem fiscalização, adesão ao gás veicular cresce, mas de forma irregular

Apesar de vantajoso para o condutor, o uso do GNV demanda certificação anual com despesa média de R$600 além do pagamento do licenciamento.
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Adesão ao GNV cresce e precisa de fiscalização

Números do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) mostram que até o mês de agosto o Amazonas registrou 2,2 mil veículos convertidos para o sistema de Gás Natural Veicular (GNV).

De acordo com o Detran, atualmente 2.201 automóveis utilizam o gás natural como combustível. Em 2019, segundo o órgão, 186 carros receberam a adaptação ao gás. Enquanto em 2020, o número reduziu para 177. O Detran registrou de janeiro a agosto deste ano 51 adesões ao GNV.

Mas, levantamento da Associação dos Motoristas e Entregadores por Aplicativo do Amazonas (Ameap-AM) aponta que pelo menos 20 mil automóveis são abastecidos por GNV, número, segundo a associação, subnotificado.

Para o presidente da Ameap, Alexandre Matias, a ausência de fiscalização gera as subnotificações. Após a instalação do kit GNV o condutor deve passar pelo processo de inspeção anual, quando deve pagar uma taxa que custa cerca de R$600. No entanto, Matias afirma que, por não haver fiscalização, é comum o condutor continuar em circulação sem submeter o automóvel à vistoria com o objetivo de economizar.

“Temos acesso aos dados das três empresas instaladoras dos kits GNV e vemos que 20% dos associados já aderiram ao gás natural, o que totaliza 20 mil veículos. Do total de 20 mil, registramos entre 15 e 17 mil automóveis que circulam e utilizam o GNV de forma irregular, sem inspeção anual”, comentou Matias.

Além da taxa de inspeção, o proprietário do veículo também deve pagar o licenciamento anual.

Três postos atendem à demanda

Conforme a Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), atualmente três postos de combustíveis atendem à frota que utiliza o GNV (dois da bandeira Atem, localizados nas avenidas Constantino Nery e Torquato Tapajós, e outro da bandeira Equador, na Torquato Tapajós.

A companhia firmou contrato com dois novos postos de combustíveis (um na Ponta Negra e outro no Distrito Industrial) para comercialização de GNV. O início das operações deverá ocorrer até dezembro, segundo a Cigás.

“A disponibilização de GNV depende inicialmente de interesse do posto (ou bandeira), que firma contrato para que a Cigás disponibilize o gás natural ao mesmo. O Amazonas está entre os estados com maior oferta de postos GNV por veículo convertido”, informou a Cigás.

Para o presidente da Ameap, o número de postos é insatisfatório.

“Existem três postos autorizados e apenas dois em funcionamento. A qualquer hora o motorista enfrenta filas extensas. Gostaríamos de saber o motivo de não expandirem essa rede de abastecimento”, comentou Matias.

Aumento na demanda

Conforme a Cigás, a comercialização de GNV no Amazonas no período de janeiro a julho deste ano, demandou volume de 13,4 mil m³/dia (média), o que representou aumento de 18,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Texto: Priscila Caldas

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