O Polo Industrial de Manaus (PIM) está embarcando em uma jornada de transformação digital por meio da Indústria 4.0, conceito que abarca iniciativas de inteligência artificial, internet das coisas e robótica e apontada como a quarta revolução industrial no mundo.
Segundo o professor Sandro Breval Santiago, pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), de 38% a 41% das empresas instaladas na Zona Franca de Manaus já possuem iniciativas da Indústria 4.0.
Sandro Breval fez uma pesquisa sobre Indústria 4.0 no PIM, elaborada com base na jornada da Amazônia 4.0, Projetos de Iniciação Científica (Pibic), projetos de extensão e várias coletas de dados.
“É uma consolidação que nos permite perceber que estamos em torno de 1.9 a 1.8 na escala de maturidade e prontidão da Indústria 4.0 no Polo Industrial de Manaus”, enfatizou
O pesquisador disse que o PIM ainda está em um processo tecnológico de transição, o que significa iniciativas importantes, especialmente em empresas do setor eletroeletrônico e informática.
“No entanto, ainda estamos em um processo de transição, o que impacta o chão de fábrica, a manufatura, o treinamento, as pessoas e, principalmente, a cultura de mudança em relação à Indústria 4.0 e seus efeitos, como eficiência, redução de custos e qualidade”, salientou.

Segundo a pesquisa, a transformação digital tem se tornado uma prioridade para empresas de diversos setores, e a Indústria 4.0 tem sido um dos principais conceitos impulsionadores desse processo. No entanto, muitas organizações enfrentam desafios ao iniciar sua jornada rumo à digitalização.
No artigo, foram abordados os principais pontos relacionados ao início dessa jornada e a aplicação do modelo de maturidade PIMM 4.0 nas indústrias.
“A transição para a Indústria 4.0 não está restrita a empresas de grande porte, sendo viável para organizações de qualquer porte. A adoção da Indústria 4.0 oferece benefícios como maior eficiência, redução de custos e melhoria na qualidade, além de proporcionar ganhos em toda a cadeia de valor por meio de um novo fluxo de informações baseado nos eixos de gestão, processo e tecnologia”, ressaltou Sandro Breval.
Níveis de avanço da Indústria 4.0
O pesquisador disse que uma das principais dúvidas das empresas é em que nível de maturidade elas precisam alcançar. O modelo de maturidade PIMM4.0, que abrange os aspectos de gestão, processos e tecnologia, oferece uma abordagem completa para avaliar o progresso de uma organização rumo à Indústria 4.0.
Ele é composto por quatro níveis de medição que demonstram a relação entre a Tecnologia da Informação (TI) e a Tecnologia da Automação (TA), suas integrações, o alcance organizacional, a interoperabilidade e as características da Indústria 4.0.
Na pesquisa, se destaca que ao iniciar a jornada para a Indústria 4.0, é importante definir as prioridades das ações que impactam o fluxo de valor da empresa. Para isso, é necessário avaliar quais tecnologias devem ser adquiridas e quais devem ser priorizadas para alcançar os resultados desejados.
Além disso, é comum surgirem dúvidas sobre se os processos ainda são antigos e se é necessário iniciar o movimento para a Indústria 4.0.
A metodologia PIMM4.0 tem sido aplicada e testada por empresas industriais de diversos setores, como eletroeletrônico, informática, metalmecânico, termoplástico, químico e papel inclusive em outros Estados. Ela utiliza análise multivariada – equações estruturais – como algoritmo base, possibilitando a melhor relação entre as variáveis, a causalidade e um fácil entendimento das fraquezas.
Durante o processo de implementação da metodologia, são realizadas etapas como a coleta de dados quantitativa e qualitativa, a análise dimensional e a obtenção de evidências. Acompanhamento on-line do processo de medição, e, por fim, são emitidos os relatórios do diagnóstico multidimensional, que fornecem um panorama detalhado por variável, indicativos técnicos, referencial teórico, grau de medição e benchmarking do segmento.
O que é a Indústria 4.0

A Indústria 4.0, também conhecida como Quarta Revolução Industrial, refere-se à transformação tecnológica nas atividades industriais. O termo foi usado pela primeira vez na Feira de Hannover, na Alemanha, em 2013.
Essa abordagem envolve a aplicação de diversas tecnologias na indústria, como inteligência artificial, robótica e internet, com o objetivo de digitalizar processos e aumentar a produtividade.
Um dos benefícios da Indústria 4.0 é a melhoria da interoperabilidade na indústria, o que resulta em menor perda de valor agregado
. A adoção dessas tecnologias disruptivas permite uma integração mais eficiente entre os diferentes sistemas e processos industriais, impactando positivamente a curva de produtividade em relação à manufatura tradicional.
Além de impulsionar a eficiência e a produtividade, a Indústria 4.0 também tem o potencial de aumentar o desenvolvimento de produtos em larga escala e promover a integração do Brasil em cadeias globais de valor.
A implementação desse modelo requer transformações na gestão empresarial, incluindo a definição de estratégias para a adoção das tecnologias e a cooperação entre as áreas de Tecnologia da Informação (TI) e Produção.
No PIM, a implementação da Indústria 4.0 está sendo apoiada pelo modelo de maturidade PIMM4.0, desenvolvido para avaliar e orientar as organizações nessa jornada de transformação digital.
Esse modelo abrange os eixos de gestão, processos e tecnologia, proporcionando uma compreensão clara das fraquezas das empresas e auxiliando na definição de estratégias de melhoria.
Segundo Breval, com a crescente adoção de iniciativas da Indústria 4.0 no PIM, espera-se que as empresas do polo industrial se tornem mais competitivas e preparadas para os desafios do mercado global, impulsionando o desenvolvimento econômico e tecnológico da região.
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