O projeto do dono da SpaceX (empresa de lançamento de foguetes espaciais) e da Starlink (braço do grupo responsável pelas conexões via satélite) foi anunciado como algo certo no governo e como uma solução promissora para a conexão das escolas brasileiras.
Mas, mesmo que a iniciativa vá adiante, os números mostram que o esforço para conectar as escolas precisaria ser maior do que o apresentado até agora.
A realidade do CEF 01 do Planalto, no coração da capital do país, é a mesma de pelo menos 63,3 mil escolas públicas municipais e estaduais que não oferecem internet a alunos do ensino fundamental. Apenas 36% das escolas têm internet para esses estudantes, segundo dados do Censo Escolar de 2021, feito anualmente pelo Inep, do Ministério da Educação. No Norte, esse índice é de 17%.
Se somadas as escolas de ensino médio da rede pública sem internet para os alunos, o total de unidades é de pelo menos 69,7 mil, conforme os dados do Censo Escolar. Assim, o projeto de Musk encampado pelo governo Bolsonaro chegaria a apenas 27,2% do necessário.
Além disso, menos da metade das escolas públicas que oferecem ensino fundamental tem computador de mesa para os alunos. Com tablet, são menos de 8%.
Outro problema ainda mais básico é a falta de eletricidade. O Brasil tem 3.400 escolas sem fornecimento de luz e outras 2.000 funcionam com gerador. Não há água em 3.600 unidades de ensino da educação básica, segundo os dados do Censo Escolar.
Desde novembro de 2021, o governo Bolsonaro já tratava a ofensiva de Musk no país como uma parceria e dava a entender que o acordo estava pronto, mas sem fornecer detalhes. Foi o mesmo discurso adotado durante a visita do empresário ao país no último dia 20, organizada pelo ministro Fábio Faria (PP), das Comunicações.
Da Redação, com informações da Folha de SP
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