quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Pandemia e streaming fazem cinemas reorganizarem modelo de negócio

Redes de cinemas enfrentam perda de faturamento devido à pandemia e concorrem com as plataformas de streaming que possibilitam acesso mais barato e comodidade ao cliente.
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Em quatro meses duas grandes redes de cinemas encerraram as atividades em Manaus. Após a saída da empresa PlayArte, a rede Cinemark anunciou, na última terça-feira (1º), o término das operações nas dependências do Studio 5 Shopping e Convenções, na zona Sul. Na avaliação do mestre em sociedade e cultura na Amazônia, Gustavo Soranz, a crise no setor é decorrente da pandemia da Covid-19 somada à tendência de reorganização dos modelos de negócios do segmento.   

Por meio de nota a rede Cinemark se restringiu em informar que encerrou as atividades na capital no dia 31 de janeiro de 2022.

A assessoria do Studio 5 Shopping e Convenções divulgou que o contrato com a rede de cinema encerrou recentemente e que a empresa optou por não renová-lo. Conforme o centro comercial, o espaço anteriormente utilizado dará lugar às novas operações de varejo. A área contava com oito salas de cinema.

Para Gustavo Soranz, que também é pesquisador do Núcleo de Antropologia Visual da Universidade Federal do Amazonas (NAVI/UFAM), documentarista e curador na área do audiovisual, as redes de cinema, assim como o setor de produção e entretenimento, foram fortemente afetados pela pandemia, com atividades interrompidas por quase dois anos, sem atendimento ao público e, consequentemente, sem faturamento.

Soranz ainda comenta que somado aos prejuízos decorrentes da Covid-19 as empresas de exibições cinematográficas ainda enfrentam um período de reorganização do setor motivado pelo avanço tecnológico com a chegada das plataformas de streaming (transmissão em tempo real de dados de áudio e vídeo de um servidor para um aparelho). As plataformas possibilitam a transmissão de músicas, filmes e séries.

“Casas de espetáculo e cinemas não puderam receber público por praticamente dois anos, muito tempo para manter um negócio sem faturamento. Também é preciso considerar que o streaming está mudando a forma de consumir o cinema porque as diversas plataformas como a Netflix e outras, por exemplo, possibilitam o acesso aos filmes por preços mais acessíveis, além da comodidade ao cliente”, comentou.

O pesquisador acredita que o setor de cinemas passa por um momento de reorganização dos modelos de negócios.

Acredito que é um momento de reorganização do setor, de redesenho dos modelos de negócios. Assim como as locadoras de vídeos migraram para o digital, a tendência é de reorganização de modelo de negócio do cinema”, avaliou.

Texto: Priscila Caldas

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