fbpx

domingo, 26 de setembro de 2021

Indústria perde participação de setores tecnológicos e se torna mais concentrada

Falta de política industrial e Custo Brasil contribuíram para redução de setores industriais de alta e média intensidade tecnológica. A participação caiu de 23,8% para 18,7%.

5 de julho de 2021

Compartilhe

Brasil perdeu 5,1 pontos percentuais de presença de setores industriais complexos (Foto: Reprodução)

A estrutura da produção da indústria de transformação no Brasil desidratou em dez anos, com perda significativa da participação do grupo de setores industriais de bens de média e alta tecnologia no país e aumento da presença dos setores de baixa tecnologia.

Nota Econômica nº 20, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base nos dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA) do IBGE e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostra o alto preço que a economia e a sociedade brasileira pagam pela queda na produtividade do setor industrial, provocada pelo Custo Brasil e falta de política industrial.

A participação de setores produtores de bens de capital e de bens de consumo duráveis no Produto Interno Bruto (PIB) industrial passou de 23,8% para 18,7%, entre os biênios de 2007/2008 e 2017/2018. O Brasil perdeu 5,1 pontos percentuais de presença desses setores mais complexos.

Eles produzem bens mais sofisticados, com alto valor agregado e contribuem para o aumento do nível de educação e de renda, ao contratarem profissionais mais qualificados. Além disso, esses setores elevam a capacidade tecnológica do país por serem mais intensivos em pesquisa e desenvolvimento e estimulam o desenvolvimento de novos produtos, criando novos mercados e gerando mais crescimento. 

Retrocesso

O economista-chefe da CNI, Renato da Fonseca, explica que, nos últimos anos, a estrutura industrial intensificou um movimento em direção a setores produtores de bens de consumo semiduráveis ou não duráveis, típicos do início do processo de industrialização.

A participação desses setores tradicionais passou de 25,6% para 35% entre os biênios de 2007/2008 e 2017/2018 e a presença de setores que produzem bens intermediários caiu de 49,3% para 44,4%. O resultado disso é que o Brasil tem uma das mais baixas participações de setores intensivos em tecnologia e inovação na comparação com países da OCDE. Ocupa a 23ª posição entre 28 países.

“Essa perda de participação da indústria manufatureira na economia tem consequências de longo prazo para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. A indústria paga salários mais altos do que os demais setores (R$ 7.590 para profissionais com nível superior, contra uma média nacional de R$ 5.887) e tem forte poder de gerar crescimento”, explica o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade. 

A cada R$ 1 produzido na indústria de transformação no Brasil, são gerados R$ 2,67 na economia brasileira. O valor gerado pelos outros setores é menor. Na agricultura, esse mesmo R$ 1, resulta em R$ 1,75 e nos serviços R$ 1,49.

Robson Andrade destaca que a retomada do crescimento da indústria brasileira e, consequentemente da economia brasileira como um todo, “passa pela intensificação das políticas de redução do Custo Brasil e por uma política industrial direcionada à inovação, a setores mais complexos”.

Um terço da produção é baixa e média intensidade tecnológica

Atualmente, os setores de alimentos e coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que são intensivos em recursos naturais e de baixa e média-baixa intensidade tecnológica, respondem por 30% de toda produção manufatureira nacional.  

O setor de alimentos registrou o maior crescimento de participação na produção da indústria de transformação. Em dez anos, passou de 10,29% para 17,97% e se tornou o principal setor industrial do país, seguido do Coque, que, no período, perdeu participação. Caiu de 14,61% para 11,98%.

Em terceiro lugar estão os Químicos, com maior presença no setor industrial em uma década. O setor tinha 7,7% da participação no biênio 2007/2008 e passou a ter 8,75% em 2017/2018. Em quarto lugar, está o setor veículos automotores, que viu sua presença despencar de 10,84% para 7,4%. Foi a maior queda percentual entre os 23 setores considerados no estudo.

Segundo o economista-chefe da CNI, Renato da Fonseca, a indústria brasileira se tornou menos diversificada, mas o principal problema para a economia é que esse movimento ocorreu no sentido de setores mais tradicionais.

“Esse grupo, em geral, produz bens de menor intensidade tecnológica. A exceção é o setor de Farmoquímicos e Farmacêuticos, que aparece no grupo por produzir majoritariamente bens não-duráveis”, explica. 

Setores

Entre os setores que produzem majoritariamente bens intermediários, os setores Químicos, Celulose e papel; e Produtos de borracha e plástico aumentaram a participação no PIB industrial nos últimos 10 anos. 

Os demais setores (Metalurgia; Coque, derivados do petróleo e biocombustíveis; Produtos de metal e Produtos de minerais não-metálicos; e Madeira) perderam participação e cresceram abaixo da média da indústria de transformação. O setor de Metalurgia, que passou da quarta para a quinta posição, com queda de 9,96% para 6,67%, no mesmo período.

Todos os setores produtores de bens de consumo duráveis e de bens de capital perderam espaço na indústria de transformação brasileira. São eles: equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos; Máquinas, aparelhos e materiais elétricos; Máquinas e equipamentos; Veículos automotores e Outros equipamentos de transporte.

Fonte: Confederação Nacional do Comércio (CNI)

Leia mais:

Leia mais sobre Economia & Negócios

Municípios receberão R$ 423 mil como auxílio por desastres naturais

São Sebastião do Uatumã terá R$ 333,7 mil para a compra de alimentos e de kit de limpeza. Já Careiro da Várzea terá R$ 89,4 mil para serviços de limpeza em áreas urbana.

25 de setembro de 2021

Entenda o que vai mudar com a chegada da tecnologia 5G ao Brasil

Veículos autônomos, sensores de saúde, estações meteorológicas, fábricas remotas, cirurgias remotas, registros de água, luz, telefone serão realidade com a 5G.

25 de setembro de 2021

Concurso público para Caixa encerra as inscrições nessa segunda-feira

Caixa oferecerá 28 vagas para aprovados trabalharem em agências do Amazonas. Inscrições podem ser feitas no site da Fundação Cesgranrio na internet.

25 de setembro de 2021

‘Teto’ do Casa Verde e Amarela sobe 10% e dá ‘fôlego’ às construtoras

Segundo o Sinduscon, o reajuste destinado ao Amazonas não acompanha os custos das despesas na totalidade, mas minimiza uma distorção decorrente da alta dos preços.

25 de setembro de 2021

CNC: comércio terá a melhor contratação de temporários desde 2013

Para 2021, a expectativa é de mais de 94,2 mil vagas para atender o movimento sazonal de fim de ano. Segundo previsão da CNC, as vendas deverão crescer 3,8% no Natal.

24 de setembro de 2021

Índice de Preços ao Consumidor tem variação de 1,14% em setembro

Com isso, o IPCA-15 apresenta a maior variação mensal desde fevereiro de 2016, quando encerrou em 1,42%. Variação mensal deste mês foi a maior para setembro desde 1994.

24 de setembro de 2021

Preços de mercadorias e combustíveis pressionam os pequenos negócios

De acordo com a 12ª edição da Pesquisa de Impacto da Pandemia nos Pequenos Negócios, realizada pelo Sebrae em parceria com a FGV, esses são os principais gastos das empresas.

24 de setembro de 2021

Mentoria ‘Gestão 4.0 Amazônia’ foca em empresários e executivos

Evento, que acontece nos dias 1° e 2 de outubro em Manaus, tem como objetivo elevar a capacidade técnica e as habilidades de empresários e altos executivos da cidade.

24 de setembro de 2021