Faturamento e geração de empregos na indústria tiveram queda em fevereiro, de acordo com os indicadores levantadados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgados nesta seguda-feira (4). O faturamento recuou 0,2% em relação a janeiro e os empregos, 0,1%. No geral somente o indicador de horas trabalhadas teve alta (1,4%) no mesmo período, o que indica uma “imobilidade” que preocupa o setor.
No Amazonas, o desempenho do Polo Industrial de Manaus (PIM) acompanhou o nacional, mas ainda não é reflexo da redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) em 25% para outros Estados, diminuindo a competitividade da Zona Franca de Manaus (ZFM). A redução ocorreu por meio de dois decretos do Governo Bolsonaro: Um em fevereiro e outro, que fazia alterações no texto anterior, mas sem mencionar a ZFM, no último dia 1º.
“Vamos sentir os impactos do IPI – se ele não for revertido – em médio prazo”, afirma o presidente do do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam). Ele explica que o desempenho da indústria do Estado teve sim impactos, mas da dificuldade de trazer insumos, em função da guerra entre Rússia e Ucrania e “outras questões logísticas”.
A questão da matéria-prima na produção do PIM já fez empresas locais investirem mais no home-office e reduzir os dias de trabalho, conforme reportagem do RealTime1 de março passado.
O rendimento médio real dos trabalhadores da indústria caiu 0,1% entre janeiro e fevereiro de 2022. Na comparação com fevereiro de 2021, o rendimento do trabalhador teve, na média, uma pequena alta, de 0,7%, enquanto a inflação medida no período (12 meses), segundo o IBGE, ficou em 10,54%.
A massa salarial da indústria de transformação apresentou estabilidade no período janeiro-fevereiro de 2022. Na comparação com fevereiro de 2021, este índice registrou alta de 3,5%.
Na avaliação do gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, a “imobilidade” desses indicadores é algo “preocupante para a atividade econômica”. Segundo ele, o desempenho do setor industrial precisa melhorar para recuperar as quedas de 2021 e 2020. Os resultados, no entanto, não mostram que essa trajetória de recuperação era sustentável, complementou o economista.
Texto: Emerson Medina com informações da Agência Brasil
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