quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Falta de insumos e inflação afetam faturamento de setores do PIM

Pelo menos oito segmentos produtivos tiveram menor faturamento no saldo do bimestre deste ano, período em que as fabricantes tentaram manter produção mesmo sem insumos.
COMPARTILHE

A falta de insumos e a alta dos preços, seguida da queda no consumo, refletiram em queda no faturamento de diversos subsetores do Polo Industrial de Manaus (PIM), no primeiro bimestre, em comparação a igual período de 2021. Os Indicadores de Desempenho divulgados pela Suframa mostram que segmentos como metalúrgico e termoplástico na área de bens de informática, contabilizaram, respectivamente, redução de 11,85% e 14,23% no faturamento em real.

Pelo menos oito segmentos produtivos tiveram menor faturamento no saldo nos primeiros dois meses deste ano, período em que as fabricantes mantiveram a tentativa de equilibrar a produção em relação ao volume de insumos disponíveis. Em igual período de 2021, as fabricantes enfrentaram restrições devido à Covid-19 e interromperam produção por alguns dias. Mas, mesmo assim, os números fecharam no positivo no bimestre.

Alguns segmentos que tiveram queda no faturamento do bimestre foram: eletroeletrônico (-12,92%), polo termoplástico de bens de informática (-14,23%), editorial e gráfico (-32,65%), metalúrgico (-11,85%), mecânico (-8,35%), madeireiro (-20,20%), químico (-5,01%), vestuário e calçados (-34,22%).

Para o presidente da Federação da Indústria do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, os resultados negativos nos diversos subsetores industriais são atribuídos ao desabastecimento de insumos e à queda no índice de confiança do consumidor, associado à inflação.

“A indústria ainda sofre com a instabilidade na cadeia de fornecimento de matéria-prima. Essa situação tem dificultado a previsibilidade necessária para a operação de diversas linhas fabris. De igual modo, a pressão sobre os preços continua a impactar negativamente no consumo, o que, por sua vez, tem reflexos na produção industrial, prejudicando os indicadores do segmento”, analisou.

Na avaliação do presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, o cenário ainda tem sido agravado por interrupções no transporte de cargas em portos na China desde o início do ano, assim como pelas variações cambiais.

“A indústria sofre com a falta de componentes, semicondutores. O lockdown na China está gerando redução em produção e fechamento de portos, complicando muito. Tem também a questão da variação cambial que influencia no faturamento”, disse.

Texto: Priscila Caldas

Leia Mais:

COMPARTILHE