A restrição na oferta de resinas termoplásticas e de flandres, utilizados na produção de embalagens plásticas e metálicas, tem ocasionado aumento de até 25% nos custos de fabricação dos alimentos. Produtos como carne bovina, sardinha e vegetais em conserva, leite em pó, entre outros, chegam às prateleiras dos supermercados por preços mais ‘salgados’ e afetam o consumo, até mesmo das famílias de menor poder aquisitivo.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), as embalagens metálicas participam em média com 15% do custo da produção dos alimentos, podendo ultrapassar, nos produtos de menor preço, o patamar de 25%. Conforme a associação, a alta nos custos gera um impacto no preço ao consumidor final de 10% em média, podendo superar 16% nos produtos onde a participação no custo final é maior.
Conforme a ABIA, insumos importantes utilizados na produção de embalagens de alimentos, como as resinas termoplásticas polietileno (PE) e polipropileno (PP), e a folha de flandre (folha laminada de aço-carbono revestida em ambas as faces com estanho pelo processo de eletrodeposição), seguem com fornecimento restrito no mercado interno e preços mais elevados, acumulando altas superiores a 100% em 12 meses, pressionando os custos de produção.
O presidente executivo da ABIA, João Dornellas, acredita que a reforma tributária é um dos caminhos que podem ajudar a reduzir os custos de produção.
“A melhoria da disponibilidade interna destes importantes insumos segue dependente da aprovação dos pleitos de redução do imposto de importação. A reforma é essencial, uma vez que ampliará a renda líquida disponível das famílias brasileiras, gerando mais consumo. É imperativo que o Brasil tenha um sistema tributário mais simples e que não onere o consumidor naquilo que é básico para qualquer cidadão: a sua alimentação”, pontuou.
Os custos de produção do setor de alimentos também são pressionados por uma série de fatores como a variação do dólar, a alta das commodities agrícolas, e ainda, pelo aumento no valor da cobrança de energia elétrica.
A associação ainda explicou que o país conta com apenas um fabricante de folha de flandres. Devido à alta demanda, a empresa não tem conseguido suprir o volume necessário ao mercado.
“A existência de um monopólio na produção nacional de folha de flandres e a barreira tarifária, somada às oscilações cambiais, impossibilita uma maior velocidade de ajuste aos movimentos de oferta e demanda pelo produto. Como consequência, tem-se o aumento de custos nos insumos industriais”, esclareceu a ABIA.
Famílias de até 5 salários mínimos são mais afetadas
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados pela ABIA, apontam que as famílias que têm renda de até cinco salários mínimos correspondem a 72% dos consumidores de alimentos embalados em latas de aço. Os itens de maior consumo são sardinha em conserva e leite em pó.
Inflação
O presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon-AM), Martinho Luis Gonçalves Azevedo, explica que o processo inflacionário iniciou no período da pandemia quando a economia foi afetada, assim como a produção em todos os segmentos, gerando desequilíbrio entre demanda e oferta.
Segundo o presidente, não há como prever uma normalização para os aumentos nos preços. Porém, ele afirma que a retenção dos produtos nos comércios, em decorrência do encarecimento tende a gerar o barateamento. Ele afirma que isso já está ocorrendo com o preço da carne.
“À medida que a economia retoma a atividade produtiva nos diversos segmentos, a pressão referente à oferta começa a ser reduzida e a tendência é que os preços caiam. Estamos dependendo do novo ciclo da atividade econômica. As substituições dos alimentos podem ser feitas, mas é algo que depende dos hábitos e do poder aquisitivo da família”, comentou.
Texto: Priscila Caldas
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