quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Debêntures: entenda o que são os títulos de dívidas emitidos pela Bemol

Debêntures são uma forma alternativa e flexível que as empresas têm de captar recursos do mercado, por meio da emissão de títulos de dívidas de médio e longo prazos.
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(Foto: Reprodução)

Na última terça-feira (27) a Bemol se se tornou a primeira empresa da região amazônica a emitir debêntures. De acordo com a rede varejista, a emissão dos títulos, que representa a estreia da marca no mercado de capitais, totaliza R$ 200 milhões, em um prazo de cinco anos. A emissão da Bemol aconteceu por intermédio do Bradesco BBI.

As debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas e negociados no mercado de capitais. Em outras palavras, são valores mobiliários que representam a dívida da companhia emissora. Na prática, funciona como um empréstimo financiado pelo mercado, para que as companhias consigam realizar os seus planos.

O economista Saulo Michiles explica que as operações de debêntures são uma forma alternativa e flexível que as empresas têm de captar recursos do mercado, por meio da emissão de títulos de dívidas de médio e longo prazos. Desse modo, é possível ter custos menores, já que o financiamento bancário apresenta normalmente taxas maiores do que nas aplicações.

“A empresa que emite debêntures, na verdade, está tomando dinheiro emprestado do mercado. Ao invés de ir a um banco para pegar dinheiro emprestado, ou fazer isso de maneiras mais convencionais, a empresa emite um título de dívida no mercado. No final das contas, é uma operação de dívida, uma operação de crédito, em que o mercado financia a empresa que emitiu a debênture”, esclarece.

Diferença entre debêntures e ações

Ainda segundo Michiles, ao contrário do que acontece no mercado de ações, no qual os investidores se tornam sócios das empresas, com as debêntures cada investidor será credor (chamado de debenturista). Logo, terá direito a receber o valor inicial acrescido de juros.

“Os investidores, nesse tipo de operação, são os credores, são as pessoas que vão ‘emprestar’ o dinheiro para essa empresa. Eles, se interessando nas condições que estão no certificado da debênture, podem decidir por comprar esses títulos ou não”, explica.

Outra diferença entre ações e debêntures está no prazo do investimento. No caso das debêntures, a data de vencimento das dívidas são predefinidas. Normalmente, este prazo é de, no mínimo, dois anos, podendo chegar a cinco, como no caso da Bemol, ou até 10 anos.

Vantagens e desvantagens

Uma das vantagens desta modalidade para os investidores é já saber, de cara, quais serão as condições dessa dívida. De acordo com o economista, quando se emite uma debênture existem diversos detalhes que ficam disponíveis na escritura de emissão dessa debênture.é que as debêntures costumam pagar aos investidores juros maiores do que instituições financeiras oferecem ao investidor.

“O investidor, ao empresatar o dinheiro para esta empresa já vai saber, de antemão, essas condições. Então ele pode ter um bom retorno, em comparação com outras alternativas de mercado”, diz.

Outro benefício é a rentabilidade superior a muitos investimentos de renda fixa. Nessa modalidade, o investidor é remunerado por meio de juros, que podem ser prefixados, pós-fixados ou híbridos.

Além disso, dependendo da empresa para a qual o investidor realiza o financiamento, este empréstimo pode ser relativamente seguro.

“Empresas grande, sólidas, que costumam fazer esse tipo de operação têm uma chance muito pequena de quebrar e não pagar essa dívida”

Já entre as desvantagens está a possibilidade de um longo prazo de vencimento e, como todo empréstimo, o risco de calote – dependendo da empresa emissora.

“Essa também pode ser encarada como uma desvantagem, já que o ivestidor assume o risco de a empresa não conseguir honrar os compromissos de quitar essas debêntures”, finaliza Saulo Michiles.

Como investir?

Para investir em Debêntures, é preciso ter conta em um banco de investimentos que negocie esse tipo de título.

O investidor deve reunir os documentos solicitados, que costumam incluir: CPF, RG e comprovante de residência. Eles são enviados no momento do cadastro e, após a aprovação, é possível começar a investir por meio da instituição.

O próximo passo é entrar em contato com assessores de investimento ou usar a plataforma do banco para descobrir quais títulos estão sendo ofertados. Depois, basta escolher sua aplicação e transferir dinheiro.

Texto: Lucas Raposo

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