A dragagem dos rios Madeira e Solimões como medida para combater a seca e recuperar a capacidade de navegar pelos trechos é vista por ambientalistas como negativa e com alto impacto ambiental.
Anunciada pelo Governo Federal como uma das ações para minimizar os impactos da estiagem e garantir o trânsito de mercadorias, a dragagem dos rios pode se mostrar pouco eficiente a longo prazo, além de cara.
Segundo o governo federal, no Solimões, a dragagem será feita em área com 8 km de extensão, com custo estimado em R$ 38 milhões e duração prevista de 30 dias. As obras ainda não começaram.
Já os trabalhos no Madeira serão feitos em área de 12 km de extensão, ao custo de R$ 100 milhões e duração de 45 dias.
Em entrevista ao site ECO, o pesquisador Jansen Zuanon, professor do Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesquisa Interior do INPA, afirmou que diante do cenário futuro de agravamento dos eventos climáticos extremos, a dragagem, além de cara, pode se mostrar pouco eficiente, com um alto impacto ambiental.
“O fenômeno das secas severas e dos eventos extremos já é muito mais frequente do que a gente imaginava. E esses rios, como o Solimões e o Madeira, são rios que mobilizam muito sedimento o tempo todo. Então, fazer uma dragagem agora é enxugar gelo, na minha opinião. É resolver um problema momentaneamente, com um custo muito alto, para um problema que vai se repetir em breve, talvez até no ano que vem”, diz.
De acordo com o pesquisador do INPA, a dragagem é até importante em algumas situações especiais, como para escoar peixes mortos ou para religar trechos que ficaram isolados pela seca.
A proposta do governo é somente aumentar a navegabilidade.
“No caso de navegabilidade, a não ser que sejam casos muito específicos, me parece que é uma medida de duração muito curta para um custo muito elevado, sem contar os impactos ambientais. Fazer dragagem em uma situação emergencial provavelmente vai ser realizado sem nenhum estudo prévio de impacto ambiental. Não dá tempo. Então, acredito que isso vai ser feito inclusive ao arrepio da legislação, o que é muito triste”, diz.
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