quarta-feira, 23 de setembro de 2026
SECA

Dragagem de rios é esperança para manter produção no PIM com a seca

Anunciada há uma semana, dragagem dos rios Solimões e Madeira ainda não começou.
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Produção industrial tem queda após três meses de crescimento.
Produção industrial puxou o crescimento do PIB do Amazonas no primeiro trimestre. (Arquivo)

Empresários do Polo Industrial de Manaus (PIM) estão em compasso de espera para o início da dragagem nos rios Madeira e Solimões, que pode garantir condições mínimas para a navegação de cargueiros com destino a capital amazonense durante a seca.

Anunciada pelo governo federal há uma semana como parte de um pacote emergencial por causa da estiagem, a obra ainda não começou. O RealTime1 questionou o Ministério dos Transportes, Portos e Aeroportos sobre o estágio da obra emergencial, assim como sobre as medidas que a pasta está adotando para evitar o isolamento logístico do estado, mas não houve respostas.

Depois de semanas com cargueiros viajando com metade da capacidade, a situação do transporte de insumos escalou para um cenário pior. A Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (Abac) confirmou o cancelamento de viagens de cinco navios com cargas para Manaus, só nesta semana, e a empresa Aliança suspendeu viagens de navios cargueiros com destino a Manaus, pela falta de condições de navegação.

Na indústria e no comércio, os impactos da seca ainda são considerados pequenos. Na indústria, quem mais está sentindo são as empresas de pequeno porte. Para protelar uma paralisação das atividades, algumas delas já vêm reduzindo produção e dando férias aos trabalhadores.

Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Antônio Silva, a expectativa é que as obras prometidas pelo governo federal consigam impedir que a economia do estado seja penalizada e as indústrias parem, por exemplo.

“Estamos no compasso de espera para saber tudo o que pode se resolver daquilo que foi prometido durante a visita do vice-presidente Geraldo Alckmin, acompanhado dos ministros, onde discutimos a dragagem da foz do madeira, o pedral do tabocal para que isso não venha atrapalhar a navegação”, disse o presidente da FIEAM.

De acordo com o governo federal, a dragagem no Solimões, em área com 8km de extensão, tem custo estimado de R$ 38 milhões e duração prevista de 30 dias. Já os trabalhos no Madeira, em área de 12 km de extensão, devem durar 45 dias e custar cerca de R$ 100 milhões. As ações serão coordenadas pelos Ministérios dos Transportes, Portos e Aeroportos e Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

“Mesmos com baixo calado, os navios podem continuar navegando. Com menor carga, mas navegando para que a gente não fique desabastecido. Se continuar a vazante, aí nós teremos problemas”, disse Antônio Silva.

O presidente da Fieam afirmou que a emergência climática da seca de 2023 evidenciou a necessidade do Amazonas possuir alternativas de escoamento e recebimento de mercadorias. Por isso, enquanto batalham para celeridade na dragagem dos rios, empresários e trabalhadores devem se mobilizar para que a BR-319 seja viabilizada pelo governo Lula.

“Temos que ter a hidrovia funcionando e o modal rodoviário. Todo ano vai ter a seca, mas precisamos trabalhar para que ela venha a impactar de forma menor o polo industrial, mas não só, porque se acontecer teremos problemas de abastecimento de gêneros alimentícios”, afirmou Silva.

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