quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Dólar a R$6,00 favorece a exportação, mas desafia a economia do Amazonas

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Vista aérea do Polo Industrial de Manaus
Vista aérea do Polo Industrial de Manaus (Foto: Divulgação)

A valorização do dólar frente ao real tem ampliado os desafios para a indústria amazonense, especialmente nos setores dependentes de insumos importados. A alta da moeda americana encarece as importações, afetando diretamente os custos de produção.

Na Zona Franca de Manaus (ZFM), o impacto é ainda mais evidente. O aumento significativo nos custos compromete a competitividade das indústrias locais tanto no mercado nacional quanto no internacional.

Segundo o Comex Stat, no primeiro trimestre de 2024, as importações no Amazonas somaram aproximadamente R$ 24,9 bilhões (valor FOB, que considera os custos até a saída da mercadoria do local de origem).

Com o dólar a R$ 6,04, esse mesmo volume de importações seria 23% mais caro, atingindo R$ 30,6 bilhões.

A alta nos preços de componentes e outros bens importados pressiona diretamente a cadeia produtiva da região. As empresas precisam buscar estratégias para manter a viabilidade e lidar com a elevação dos custos.

Exportação favorecida pela alta do dólar

Apesar dos desafios, a desvalorização do real beneficia os exportadores amazonenses, especialmente os setores de minerais e derivados de petróleo.

Municípios como Presidente Figueiredo e Itacoatiara têm potencial para aproveitar o aumento dos preços internacionais dessas commodities, contribuindo para o saldo positivo na balança comercial do estado.

No primeiro trimestre de 2024, as exportações dessas cidades somaram R$161,1 milhões, incluindo produtos como ferro-ligas e madeira serrada, conforme os dados da balança comercial do Amazonas disponíveis no Portal do Planejamento do Governo do Amazonas.

Com a cotação atual do dólar, esse montante alcançaria aproximadamente R$ 198,3 milhões, reforçando a relevância das exportações para a economia regional.

Inflação e impactos na economia local

Enquanto a alta do dólar favorece exportadores, a pressão inflacionária reduz o poder de compra da população e dificulta a recuperação econômica local.

O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM), Aderson Frota, alertou:

“A alta do dólar gera instabilidade na economia, encarecendo os insumos importados e agravando a situação dos consumidores de baixa renda. Esse cenário afeta diretamente o desempenho da economia brasileira, exigindo maior atenção para prevenir novas instabilidades. Por outro lado, é necessária uma análise cuidadosa sobre os custos de frete, pois, até hoje, a maioria das empresas responsáveis pelos fretes de produtos importados no Amazonas são estrangeiras, o que as torna vulneráveis às oscilações do preço do dólar.”

Com a dificuldade de repassar os custos adicionais ao consumidor final, muitas empresas enfrentam redução de margem de lucro e queda na competitividade frente a produtos importados.

As projeções para 2025 indicam um cenário de incertezas globais, agravado por políticas monetárias restritivas. Esse panorama exige estratégias sólidas para minimizar os impactos da valorização do dólar e garantir a sustentabilidade econômica da região.

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