Em meio a tantas notícias vindas da Amazônia, como o recente assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, chega às livrarias “Hakitia — Amazônia hebraica”, do mineiro Felipe Goifman.
O volume faz parte de um extenso projeto do documentarista em busca das ramificações da cultura judaica no Brasil. Nos últimos anos, ele já produziu obras retratando os grupos religiosos em Pernambuco e Rio, além de filmes “Marranos do sertão” e “Amazônia hebraica: O rio dos Cohen”. Outros virão.
Com quase 200 fotos, o registro visual tem o apoio de textos sobre a presença dos judeus na região amazônica, que se intensificou a partir do século XIX, mas foi iniciada bem antes. No fim das contas, é uma grande e sempre bem-vinda aula de História.
Inquisição
“Contando a história do período colonial brasileiro, do pau-brasil ao açúcar, contamos a história da diáspora sefaradita, incluindo a conversão obrigatória ao cristianismo que, internamente, poucos faziam, em um processo que durou três séculos, até a chegada da família real, a independência do Brasil e a liberdade religiosa”, conta o documentarista.
Povos Indígenas
Para produzir “Hakitia” — dialeto dos sefaraditas do Marrocos —, Goifman fez quatro viagens para a Amazônia, somando 80 dias entre rios, igarapés, floresta e cidades. Segundo ele, há muitas semelhanças entre a história da região e a do povo de Israel.
“A resistência histórica do povo judeu tem grande semelhança com a resistência indígena. Ambos são civilizações que resistem com sua própria cultura através dos tempos, evitando a assimilação total à cultura dominante”, diz ele.
Decadência
A paixão pela floresta e pelos rios não quer dizer que Goifman passe pano para a degradação ambiental e urbana da região. O texto de “Hakitia” faz críticas veementes à decadência que ele presenciou em cidades como Belém e Óbidos, no Pará, ou Manaus, no Amazonas.
Sobre a obra
“Hakitia” é o terceiro de uma série de cinco livros (e filmes) do projeto de Goifman sobre a imigração judaica no Brasil.
Os próximos volumes vão tratar das comunidades da Região Sul, além de Argentina e Uruguai. Mais sobre o autor e o livro está disponível no Instagram @felipegoifman.
Da Redação, com informações do Globo
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