quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Do Mississippi ao Rio Negro: o jazz que ecoa no Amazonas é referência e tem público fiel

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jazz Amazonas Band

Por muito tempo, o jazz parecia um som distante da realidade amazônica. Mas isso mudou. Em duas décadas e meia, a Amazonas Band, sob a regência do maestro Rui Carvalho, fez do Amazonas um dos polos de jazz mais consistentes do Brasil.

No Dia Internacional do Jazz, celebrado em 30 de abril, o Amazonas, portanto, também tem o que comemorar, com a consolidação da trajetória da Amazonas Band no estado.

Criada com apoio do Governo do Estado, se tornando um dos corpos artísticos estáveis da administração estadual, a banda se tornou referência nacional e internacional na difusão do jazz, levando o gênero para dentro dos teatros de Manaus, formando músicos e atraindo público fiel.

“Desde que assumi a direção da banda, em 2001, meu objetivo era formar uma plateia que gostasse de jazz. Isso se concretizou”, destaca o maestro.

A presença constante da Amazonas Band no Amazonas Green Jazz Festival — atuando como anfitriã e se apresentando ao lado de nomes como Randy Brecker, Dave Liebman e Gilson Peranzzetta — foi essencial para elevar o nível técnico do grupo e oferecer ao público local experiências únicas. “Tocar e gravar com esses artistas foi um divisor de águas para nossos músicos”, reforça o maestro.

Mais que apresentações, o trabalho da Amazonas Band também se destaca pela contribuição na formação musical. Muitos dos seus integrantes atuam hoje como professores, multiplicando o conhecimento adquirido. Um deles chegou até a obter doutorado em jazz nos Estados Unidos.

Segundo Rui Carvalho, o jazz é um símbolo da contemporaneidade: “Ele nasceu da fusão de culturas e continua sendo um espaço de diálogo entre tempos e tradições. É por isso que se conecta tão bem com o espírito da Amazônia, um lugar de encontros e diversidade.”

Esse processo de aproximação entre o Amazonas e o jazz também tem relação direta com políticas públicas de cultura. Para Rui, sem o apoio da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), a banda e o festival não existiriam.

No entanto, ele aponta que parcerias com o setor privado ainda são pouco exploradas e poderiam ampliar ainda mais o alcance da música instrumental no estado.

Em 25 anos, a Amazonas Band não apenas tocou jazz: ela construiu uma cena, revelou talentos, aproximou públicos e mostrou que há muito swing nos sons da floresta. E isso, mais que um legado, é uma celebração contínua da música como instrumento de transformação.

Para celebrar essa trajetória e homenagear o Dia Internacional do Jazz, a Amazonas Band se apresenta nesta quarta-feira (30/044), às 19h, no Teatro da Instalação, localizado na rua Frei José dos Inocentes, s/n, no Centro de Manaus. A entrada é gratuita, com acesso por ordem de chegada.

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