quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Dívida pública federal do Brasil supera R$ 7,3 trilhões em 2024

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Dívida Pública Federal supera 7,3 trilhões. (Foto: divulgação)

A Dívida Pública Federal (DPF) do Brasil registrou um aumento de 12,2% em 2024, superando R$ 7,3 trilhões. O crescimento é reflexo do aumento da Selic, que, junto com outros fatores, pressionou as finanças públicas.

Em dezembro de 2024, a DPF alcançou R$ 7,316 trilhões, um aumento de 1,55% em relação ao mês anterior, quando o valor estava em R$ 7,204 trilhões.

Esse resultado, embora signifique um aumento considerável, está dentro da faixa prevista pelo Plano Anual de Financiamento (PAF), que apontava para um estoque da DPF entre R$ 7 trilhões e R$ 7,4 trilhões no fechamento de 2024.

Dívida pública interna e externa

A Dívida Pública Mobiliária Interna (DPMFi), composta principalmente por títulos do Tesouro Nacional, subiu 11,13%, passando de R$ 6,269 trilhões em 2023 para R$ 6,967 trilhões em 2024.

Esse aumento foi impulsionado pela emissão de R$ 24,82 bilhões a mais do que o valor resgatado, principalmente em títulos corrigidos pela Taxa Selic.

A apropriação de juros, no valor de R$ 673,875 bilhões, foi o principal fator para o aumento da dívida interna, devido à Selic elevada em 12,25% ao ano em dezembro.

No mercado externo, a Dívida Pública Externa (DPFe) cresceu 38,87%, passando de R$ 251,46 bilhões para R$ 349,19 bilhões, com destaque para a valorização do dólar em 27,3% ao longo de 2024, que impactou diretamente os títulos emitidos em moeda estrangeira.

Em 2024, o colchão da dívida pública, reserva financeira utilizada para enfrentar momentos de instabilidade econômica ou picos de vencimentos, registrou uma queda, passando de R$982,37 bilhões para R$860,15 bilhões.

Esse valor cobre apenas 6,24 meses de vencimentos da dívida pública, o menor nível desde fevereiro de 2016.

O governo brasileiro enfrentará um pagamento de aproximadamente R$1,25 trilhão de vencimentos no próximo ano, o que coloca ainda mais pressão sobre a gestão fiscal.

Composição da dívida

O aumento na demanda por títulos corrigidos pela Selic fez com que a participação desses papéis subisse de 39,66% em 2023 para 46,29% em 2024.

Por outro lado, a proporção de títulos prefixados caiu, passando de 26,53% para 21,99%, refletindo o ambiente de alta nos juros e a instabilidade econômica.

Além disso, a dívida corrigida pela inflação também diminuiu, passando de 29,76% para 26,96%, enquanto o peso da dívida vinculada ao câmbio aumentou, passando de 4,05% para 4,76%, devido à valorização do dólar.

Prazo da dívida e perfil de detentores

O prazo médio da dívida pública subiu de 3,95 para 4,05 anos, o que indica uma maior confiança dos investidores na capacidade do governo brasileiro de honrar seus compromissos financeiros.

A divisão de detentores da dívida permanece concentrada em instituições financeiras (29,5%), seguidas por fundos de pensão (23,9%) e fundos de investimento (21,7%).

A participação de não residentes (estrangeiros) aumentou de 9,5% para 10,2%, demonstrando o interesse dos investidores internacionais, apesar das turbulências no mercado financeiro global.

Apesar disso, a estrutura da dívida e o aumento da confiança dos investidores indicam que o Brasil pode continuar a atrair investimentos, embora a pressão sobre os recursos públicos continue a crescer.

Para o próximo ano, o governo federal terá que administrar o pagamento de grandes vencimentos e continuar a promover políticas fiscais responsáveis para garantir a sustentabilidade da dívida pública.

*Com informações da Agência Brasil

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