O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 50% a produtos brasileiros movimentou as redes sociais e abriu um novo embate político no ambiente digital.
Dados de institutos especializados mostram que, ao menos neste primeiro momento, o governo Lula saiu na frente, dominando o debate e mobilizando mais interações que a oposição.
Levantamento da Escola de Comunicação da Fundação Getulio Vargas (FGV) apontou que, entre a noite de quarta-feira (9/7) e a manhã de quinta (10/7), mais de 1 milhão de postagens mencionaram o tema nas principais plataformas.
No Instagram, a palavra “soberano” foi uma das mais usadas e refletiu a principal linha de defesa adotada por Lula e seus aliados: a de que o Brasil deve manter sua soberania frente ao protecionismo norte-americano.
A publicação em que o presidente Lula sinaliza que pode adotar medidas de retaliação ao tarifaço foi a quinta mais impactante na rede, com 770 mil interações.
Já a postagem do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre o tema, que trazia apenas um versículo bíblico, alcançou 240 mil interações.
A análise da FGV mostra que o discurso governista encontrou eco em parte do centro político, reforçando a defesa de uma postura firme diante dos Estados Unidos.
Um segundo estudo, da consultoria Arquimedes, apontou que 54,5% das menções nas redes foram impulsionadas por perfis alinhados a Lula, enquanto 45,5% vieram de opositores.
A estratégia do governo foi transformar a crise internacional em oportunidade política, apresentando-se como defensor da economia e da soberania nacional. Segundo ele, a tática funcionou: o governo ocupou o centro da narrativa, enquanto a oposição se dividiu.
O debate também impactou diretamente o perfil oficial de Trump no Instagram, que chegou a restringir os comentários após uma onda de críticas feitas por brasileiros.
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