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sexta, 30 de julho de 2021

‘Nunca ouvi alguém falar tanta mentira’, diz Cantanhêde sobre Bolsonaro

Colunista do jornal O Estado de S. Paulo e comentarista da Globonews, discutiu efeitos nocivos das notícias falsas para o jornalismo na era digital.

15 de junho de 2021

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Jornalista palestrou sobre "Política x Fake News – O desafio da cobertura jornalística" (Foto: Reprodução)

“O momento (político) Bolsonaro é irritante. Porque eu nunca ouvi alguém falar tanta mentira, com tanta cara de pau e tantos milhões de pessoas acreditarem”. Essa declaração foi dada pela jornalista Eliane Cantanhêde, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e comentarista do telejornal Globonews em Pauta, durante o webinário “RealTime1+1 – Informação e Sociedade” sobre “Política x Fake News – O desafio da cobertura jornalística”, realizado nesta terça-feira (15).

Ela afirmou que apesar de ter começado a cobrir política na Ditadura Militar e acompanhado in loco os bastidores dos impeachments dos ex-presidentes Fernando Collor, em 1992, e Dilma Rousseff (PT), nada se compara ao trabalho de desmentir as notícias de Bolsonaro.

Por ser um compulsivo criador e propagador de fake news em âmbito até internacional, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), virou um “estudo de caso” recorrente nas falas da palestrante do webinário do portal RealTime1.

Com vasta experiência e credibilidade na cobertura política, Cantanhêde declarou que a mente de Bolsonaro é “indevassável” e “indecifrável”. Para a jornalista, o governo dele causa tensão por ser imprevisível a forma que o Brasil será conduzido até o fim do seu mandato.

A colunista do Estadão lembrou que ela própria foi vítima das corriqueiras notícias falsas de Bolsonaro. “Eu fui a primeira jornalista que foi desmentida pelo presidente Bolsonaro. Eu divulguei no meu programa que o presidente decidiu demitir o ministro da Educação, [Ricardo] Vélez Rodríguez [em 2019]. Aí, o presidente da República foi para o Twitter dizer que a Eliane Cantanhêde é uma mentirosa, que só faz fake news”, disse a palestrante, ao enfatizar que informação em primeira mão foi confirmada depois com a demissão do primeiro titular do MEC do governo Bolsonaro.

Apesar das mentiras travestidas como “oficiais” pelo presidente da República em suas declarações e lives em redes sociais, Cantanhêde afirmou que é dever de um jornalista seguir cobrindo o dia a dia de um chefe de Estado mesmo quando é Jair Bolsonaro, que costuma atacar e ofender a imprensa e ainda desinforma a população nas declarações.

“Não tem como não cobrir o presidente da República. Seja João, Jair, José ou Maria, ele é o presidente da República e o que fala reverbera na sociedade brasileira. Portanto, é impossível não cobrir, mesmo os maiores absurdos do presidente. Você cobre, registra e depois explica que não é bem assim”, comentou.

Gravidade

Eliane Cantanhêde explicou também como os recursos disponíveis atualmente com o advento da internet facilitou o trabalho de pesquisa dos profissionais de Comunicação Social. Em contrapartida, segundo a colunista do Estadão, a rapidez na divulgação das informações no ambiente virtual levou à proliferação das notícias falsas. 

“Como tudo na vida tem um preço, com todos esses benefícios, a internet também trouxe uma erva daninha, que contamina a boa planta, a boa informação, a boa notícia e até o bom senso e bom caratismo”, disse Cantanhêde. 

A palestrante também alertou para a gravidade em divulgar fake news para fins escusos. “Isso é danoso porque as pessoas são muito incautas e são muito ingênuas. Às vezes não têm tempo de se informar devidamente e são contaminadas pelas fake news, que também podem matar vidas humanas”, analisou Cantanhêde. 

“E quando você lê uma notícia nas redes, nunca sabe se aquela notícia é de uma pessoa real ou de um robô (de internet). E eu costumo dizer que há um terceiro tipo, o robô real, que é aquela pessoa que não tem mais capacidade de raciocinar porque segue seitas políticas”, reforçou a comentarista da Globonews, ao citar as notícias inverídicas sobre o uso de medicamentos sem eficácia comprovada para o tratamento da Covid-19.

Outros convidados

Organizado pelo portal RealTime1 e transmitido pela TV RealTime1, o webinário desta terça-feira (15) contou também com a presença da jornalista Manoela Moura, professora universitária da UniNorte e produtora-executiva da Rádio Rio Mar FM, e o coordenador do Núcleo de Ciências Políticas da Ufam, Ademir Ramos, que é antropólogo e professor do Departamento Ciências Sociais da mesma universidade.  

Relação de poder

Para o coordenador do Núcleo de Ciências Políticas da Ufam, Ademir Ramos, a questão das fake news está centrada em uma relação de poder. “A internet potencializa tanto a verdade quanto a mentira. A prepotência do poder veiculado pela fake news é desmontar o poder constituído e remontá-lo a partir da sua concepção negativista”, declarou Ramos, em referência às notícias falsas espalhadas pelo Governo Federal na figura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido)..

E para a professora de Jornalismo da UniNorte, Manoela Moura, existem maneiras do público e profissionais da área identificarem as fake news: informações mal apuradas; erros ortográficos/gramaticais presentes; e o tom alarmante das notícias.

Próximo debate

Na próxima terça-feira (22), o tema da série de webinários “RealTime1+1 – Informação e Sociedade” será “FACT-CHECKING” | As consequências da desinformação para a democracia, com a palestrante Natália Leal, jornalista, diretora de conteúdo da Agência Lupa, a primeira agência de fact-checking (checagem de notícias) do Brasil.

Confira o webinário de hoje (15) na íntegra:

Texto: Diogo Rocha

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