quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Primeiro webinário RealTime1+1 analisa novos desafios do jornalismo

Caio Túlio Costa, fundador e diretor-geral do portal UOL, citou as crises enfrentadas pela imprensa e debateu o tema "Opinião x Informação" na produção de conteúdo.
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Na abertura da série de webinários RealTime1+1, nesta terça-feira (8), organizada para celebrar o aniversário de um ano do portal RealTime1, o jornalista convidado Caio Túlio Costa, fundador e diretor-geral do portal UOL e primeiro ombudsman da imprensa brasileira, levantou questões pertinentes sobre como exercer profissionalmente o ofício do jornalismo em sincronia com as novas tecnologias e as redes sociais. 

Com o tema “OPINIÃO X INFORMAÇÃO | A produção de conteúdo e o jornalismo profissional”, o primeiro de uma série de quatro webinários, que serão transmitidos todas as terças-feiras do mês de junho, a partir das 15h, no YouTube, teve também as análises das jornalistas e professoras universitárias Ivânia Vieira, da Ufam, e Leila Ronize, do Ceuni-Fametro e das Faculdades Martha Falcão (FMF). Jornalista do RealTime1, Gerson Severo Dantas foi o mediador do debate de hoje, assistido por muitos profissionais, professores e acadêmicos de jornalismo.

“Para ser bem desempenhado [o jornalismo profissional] requer uma formação [acadêmica], requer método, requer capacidade criativa, requer investigação, requer a verdade factual e requer ouvir os vários lados. E pressupõe resiliência e fundamentalmente independência de todos os tipos de poderes, sejam políticos ou econômicos”, explicou Caio Túlio.

Ainda conforme o experiente jornalista, a imprensa enfrenta atualmente seis crises simultâneas: crise sistêmica do modelo de negócio; crise econômica nacional e internacional; crise da perda do papel como protagonista da informação; crise geracional [nativos analógicos x nativos digitais]; crise tópica de credibilidade; e a crise sanitária causada pela pandemia da Covid-19. 

E o webinário desta terça também trouxe muitas reflexões dos convidados sobre os desafios para os profissionais da geração pré-Tecnologia da Informação (TI) e a atual geração, conforme destacou Caio Túlio ao elencar três pontos.

“Não tem saída que independa de desenvolvimento tecnológico. Os produtos jornalísticos precisam desenvolver tecnologia. Não tem saída que independa da captura, análise e do processamento de dados. E o terceiro ponto é que não há saída que independa do abraço às redes sociais”, disse.  

Pontos de vistas

Em seu discurso, a professora Ivânia Vieira citou o imediatismo pelo furo da notícia, que muitas vezes é exercido por pessoas sem experiência ou formação na área, que trazem informações incompletas e vazias e ganham até mais credibilidade do público que o jornalismo ético e profissional. 

Um exemplo citado pela mestra em Linguística Aplicada da Ufam foram as informações repassadas por supostos grupos de WhatsApp de narcotraficantes sobre as motivações para os atos de vandalismo ocorridos em Manaus e em outros municípios do Estado, desde o último domingo, por uma facção criminosa. 

Na sua apresentação, a professora Leila Ronize relembrou o mito da neutralidade/imparcialidade na prática do jornalismo e também questionou o convidado Túlio Costa sobre como saber a medida certa de opinião em um texto jornalístico. 

“Muitos alunos me falam que a opinião está sendo muito mais forte que a informação”, disse Leila, que ministra as disciplinas Multimídia e Comunicação Digital, Técnicas de Reportagem e Ética na Comunicação. 

Próximo debate

Na próxima terça-feira (15), o tema será “POLÍTICA X FAKE NEWS | O desafio da cobertura jornalística”, às 15h, com a jornalista Eliane Cantanhêde, colunista do jornal O Estado de São Paulo e comentarista do telejornal Globonews Em Pauta, das Rádios Eldorado (SP) e Jornal (PE).

Confira o webinário na íntegra:

Texto: Diogo Rocha

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